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Batalha: evaporação assusta e escancara captação vulnerável


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Divulgação
Na semana passada, nível teve queda de 8 centímetros por dia

Técnicos do DAE ficaram assustados na semana passada com a queda acentuada no nível da Lagoa de Captação do Rio Batalha, que abastece 140 mil pessoas, equivalente a um terço da população de Bauru. O motivo foi a evaporação da lagoa por conta do calorão, o que, segundo o próprio presidente da autarquia, expõe a vulnerabilidade da captação.

O nível se mantinha desde o dia 1 de dezembro acima de 3,14 metros, contudo, caiu para 2,98 metros no dia 10. Até o dia 14, já havia despencado 31 centímetros, chegando a 2,67 metros, uma redução média de quase 8 centímetros por dia. Vale ressaltar que, após quatro meses de estiagem, de abril a julho deste ao, a queda de nível foi de 3 centímetros por dia.

"Nunca havia visto isso. Ficamos assustados", destaca Eric Fabris, presidente do DAE. O susto foi tamanho que ele e técnicos da autarquia realizaram vistorias, da bacia a montante da captação, tanto terrestres quanto aéreas, para identificar eventual intervenção ou desvio de água que pudesse explicar a queda impressionante.

"Não encontramos nada. Assim, restou somente hipótese da evaporação, por conta da falta de chuvas durante dez dias e também de temperaturas máximas acima dos 32 graus", complementa Fabris.

Felizmente, a situação melhorou nesta semana. Deste sábado para domingo, o nível subiu de 2,71 metros para 2,95 metros. Isso pode ser explicado pelo bom volume de chuva, de 32,5 milímetros, que caiu e também na noite de segunda-feira. Com isso, na manhã desta terça-feira, a Lagoa de Captação já estava em 3,18 metros.

PREOCUPA

Para o presidente do DAE, o episódio revela a vulnerabilidade em que se encontra o abastecimento de água a partir do Rio Batalha. "A bacia de contribuição acima da captação é bem pequena e, apesar dos esforços dos últimos 25 anos para manter a cobertura vegetal, ela ainda se encontra bastante degradada", diz Fabris, acrescentando que o Plano de Contingência de Estiagem, lançado no ano passado está sendo implantado e visa reduzir a dependência das águas do Batalha em curto prazo.

Este plano deverá disponibilizar cerca de 212 litros por segundo de água de diversos poços para a região abastecida pelo Rio Batalha, que consome normalmente 550 litros por segundo. Isso será possível em curto prazo através da construção de 10 quilômetros de adutoras interligando unidades com produção ociosa e a perfuração de 3 novos poços no Jardim América, no Geisel e no Santa Cândida.

Para financiar essas benfeitorias, segundo a assessoria de comunicação, o DAE contava com a reestruturação tarifária que só ocorreu em novembro deste ano. Mesmo assim, foi possível inserir no Orçamento de 2018 a compra da quase totalidade do material para as adutoras e a licitação de dois dos três poços.

Conforme informa o presidente do DAE, Eric Fabris, os dois poços já estão com ordem de serviço e as perfurações deverão se iniciar nos primeiros dias de janeiro. Nessa mesma época, serão iniciadas mais duas adutoras.

DEFINITIVO

Ainda segundo Fabris, a solução definitiva para a fragilidade de abastecimento só virá com a construção de uma nova captação no mesmo Rio Batalha, 22 quilômetros abaixo da captação atual, onde a bacia é maior e o manancial permitirá a retirada de 350 litros por segundo. Com isso, ficariam para ser retirados na captação atual apenas 200 litros, além da reforma da ETA atual ou construção de uma nova.

Segundo Fabris, a prioridade é a construção da nova captação, orçada em R$ 40 milhões. "Estamos abrindo licitação para a execução do projeto executivo dessa captação e, ao mesmo tempo, investiremos cerca de R$ 1,5 milhão nos filtros da ETA atual para assegurar o melhor tratamento, até que todo o sistema seja recuperado. Mas a nova captação é mesmo a prioridade. Não adianta ter o tratamento se não tiver água para tratar".

O presidente ainda pontua que o total de investimento no sistema Batalha/ETA deverá ser da ordem de R$ 85 milhões, sendo que o DAE terá disponibilidade de cerca de R$ 10 milhões por ano. "Considero que uma espera de 8 anos é muito longa para recuperação de um sistema tão fragilizado. Teremos que buscar outras fontes de recurso e, sem dúvida, as sobras do Fundo de Tratamento de Esgoto poderão ser utilizadas, desde que autorizado em lei", conclui Fabris.

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