| Samantha Ciuffa |
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| José Eduardo Fogolin, secretário de Saúde, apresentou o cronograma de ações na tarde dessa quarta-feira (19) |
A Prefeitura de Bauru apresentou nessa quarta-feira (19) o Plano Municipal de Enfrentamento da Dengue e voltou a alertar que a cidade está correndo grande risco de ter uma epidemia no ano que vem. Conforme o JC noticiou, o número de casos recentes, entre outubro e dezembro, mostra que a doença está ganhando força e a entrada do vírus 2, que não circulava há sete anos no município, é outro motivo de preocupação. O plano envolve contratação de agentes de endemias e de saneamento e a definição de dois locais específicos para atender casos suspeitos da doença.
O cronograma de ações foi criado a partir do resultado do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (Liraa), que atingiu 3,7 e coloca a cidade no patamar de alerta. Nos últimos dois meses, Bauru registrou 20 casos de dengue e chegou a 73 ao longo deste ano, contra 75 no ano passado.
O problema é que o número vem crescendo, o que coloca a cidade em atenção para o risco de epidemia, afirmou o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin. "A gente não está em epidemia, mas, avaliando as semanas epidemiológicas recentes, há um aumento de casos que mostra que o risco de um surto é grande. Por isso, estamos fazendo ações agora", frisou.
O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) e Fogolin assinaram nessa quarta-feira (19) a contratação de mais 30 agentes de controle de endemias e quatro agentes de saneamento.
Atualmente, já atuam 150 agentes. A promessa é que mais funcionários serão contratados conforme a necessidade. "A partir de agora, já vamos chamar os novos agentes, de concursos que estão realizados, ou seja, é só chamar os novos agentes", afirmou Gazzetta. O governo federal paga, em média, 40% do valor para a contratação de um agente e a prefeitura arca com o restante.
ÁREAS DE RISCO
Nos próximos dois meses, as ações de controle ocorrerão principalmente em regiões mais afetadas, onde há maior registros de casos.
Segundo a prefeitura, a região Noroeste é a que mais preocupa, com várias confirmações da doença no Parque Jaraguá, Fortunato Rocha Lima, Santa Edwirges e Vânia Maria. Além dos 20 casos confirmados, há mais quatro em investigação.
A prefeitura já fez uma ação de combate nesta área, com a visita nas casas, retirada de recipientes que podem virar criadouro e aplicação de inseticida. O município vai fazer também o combate aos mosquitos com o uso de uma tecnologia recente, a de aspiradores, que não precisa do uso de veneno.
LOCAIS ESPECÍFICOS
Se o município entrar em situação de epidemia e o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não for o suficiente, a Secretaria de Saúde definiu que haverá dois locais específicos para os pacientes com suspeita de dengue, com equipes próprias e salas de hidratação: um ficará na Casa da Mulher (no antigo Instituto Branemark) e o outro no Pronto Socorro Central (PSC).
Para a pasta, é necessário dar atendimento rápido a casos de dengue, pois a evolução pode levar a óbito. "A maior preocupação com a dengue é porque mata. Então, o atendimento rápido e o acompanhamento dos pacientes é fundamental para evitar problemas", destacou o secretário de Saúde.
Já em relação a zika vírus, chikungunya e febre amarela, não há casos suspeitos ou confirmados, mas Fogolin diz que a mesma prevenção feita ao mosquito Aedes aegypti serve no combate a essas patologias.
SEIS METAS
O Plano de Ações tem metas em diferentes pontos. O primeiro é a Vigilância Epidemiológica, que avalia o número de registros, as regiões onde há mais incidência da doença e a infestação do mosquito, além do tipo de vírus. Depois, entra a Vigilância Ambiental, que faz o trabalho nas casas, com os agentes de controle de endemias fazendo o combate do vetor.
A assistência ao paciente é outro ponto destacado, com a qualificação dos profissionais da rede municipal para atender casos suspeitos. O diálogo entre esses setores é fundamental, avalia o secretário. Fazem parte ainda a educação e mobilização social, comunicação e gestão, inclusive com a criação de uma sala de situação para manter ou rever ações.
Histórico?
A primeira grande epidemia de dengue em Bauru foi em 2007, seguido de 2011, ano em que o município registrou a primeira ocorrência de óbitos pela doença, quando seis pessoas morreram. As pesquisas realizadas pela Secretaria de Saúde, que analisou o quadro envolvendo a dengue de 2000 até 2018, constatam que o aumento de casos se manifesta em períodos cíclicos, em anos ímpares. Em 2013, o município apresentou 7.434 casos e dois óbitos. Em 2015, foram 8.482 ocorrências e seis óbitos. 2016 apresentou um número menor de casos, porém, houve um óbito.
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