| Fotos: Malavolta Jr. |
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| O presépio foi feito com tinta e MDF; o trabalho dos moradores de rua enfeita o Parque Vitória Régia |
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| Patrícia diz que se sentiu confortada ao ajudar a construir o presépio |
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| Patrícia de Lima, Danilo Inácio Felipe, Andreza de Oliveira Caetano, Paulo Fernando Ferrari, Eduardo Augusto Moretti e Valdirene da Silva participaram da construção do presépio |
Com as mãos bastante vulneráveis pelo uso do crack, a moradora de rua Patrícia Rodrigues de Lima, de 25 anos, ajudou a construir o presépio que enfeita o Vitória Régia neste final de ano. Ela e outros 12 colegas do Centro Pop trabalharam por um mês inteiro, diariamente, para recriar a tradicional cena do nascimento de Jesus. "Tenho a impressão de que não vou estar sozinha neste Natal", desabafa a jovem, que deixou toda a sua família em Taiaçu, no Interior de São Paulo, para se tratar em Pirajuí. Quando saiu da clínica, teve uma recaída e, hoje, vive nas ruas de Bauru.
Patrícia é uma das 40 pessoas que, diariamente, passam pelo Centro Pop, situado na quadra 10 da avenida Nuno de Assis. Assim como os demais moradores de rua, ela viu, neste trabalho de artesanato, a possibilidade de mudar de vida. "Creio que o sonho de todos aqui seja se recuperar a ponto de voltar a conviver com a nossa família, não só nas festas de final de ano", acrescenta.
A iniciativa da construção do presépio partiu da assistente social e artista plástica Rosana Conceição Maia Lopes. Segundo ela, a chefe de gabinete da prefeitura, Maria José Majô Jandreice, pediu que fizesse um presépio para expor no Parque Vitória Régia. "Como eu já desenvolvo um trabalho junto ao Centro Pop, optei por construir este cenário sob a ótica dos moradores de rua".
O projeto, então, começou a ser executado com a chegada de novembro. Na ocasião, o grupo, formado por 13 pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social, usou MDF para pintar Jesus, Maria, José e animais. Os personagens bíblicos ganharam vida em peças de até 1,50 metro de altura e que estão expostos no Vitória.
UNIÃO
Além de acalentar os corações daqueles que mais precisam e dar mais esperança, a iniciativa reforçou os laços do casal Andreza de Oliveira Caetano, de 40 anos, e Paulo Fernando Ferrari, de 33, que também vive na rua.
Andreza está em situação de vulnerabilidade social há mais de dez anos, mas não ininterruptos. "Toda vez que tive recaída, voltei para a rua, porque a minha família não merece conviver com isso".
Já Paulo nasceu em Lucianópolis. Aos 12 anos, ele perdeu a mãe e foi abandonado pelo pai. Esta tragédia levou o garoto a deixar a escola para trabalhar na roça. Em busca de melhores condições de vida, ele e as irmãs decidiram se mudar para Bauru, onde Paulo teve acesso às drogas.
Há dois meses, o casal assumiu o namoro e largou o crack. "O espírito natalino e a oportunidade que tivemos de construir algo a ser exposto nos estimulou a sonhar", finaliza a mulher.
| Malavolta Jr. |
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| Danilo Inácio Felipe, Paulo Fernando Ferrari e Andreza de Oliveira Caetano mostram, com orgulho, o resultado do trabalho desenvolvido por eles |
Para eles e por eles
Coordenadora do Centro Pop, a assistente social Sueli Mello Felipe de Andrade revela que a instituição atende os moradores de rua, em Bauru, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Além de oferecer café da manhã, almoço e café da tarde, o órgão conta com os seguintes serviços: oficinas de artesanato, assistentes sociais, psicólogos, contato com casas de passagem, atendimento jurídico, documentação gratuita e concessão da passagem social, quando o morador de rua decide voltar à sua cidade de origem.
| Malavolta Jr. |
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| 'Artesanato social' - Moradores de rua e profissionais de Bauru posam em clima de conquista de Natal. É que 12 atendidos no Centro Pop trabalharam para criar seu próprio presépio. Aqui, todos juntos: em pé, Andreza de Oliveira Caetano, Paulo Fernando Ferrari, Patrícia Rodrigues de Lima, Rosana Conceição Lopes (assistente social); sentados: Danilo Inácio Felipe, Eduardo Augusto Moretti, Valdirene da Silva e Jane Estela Chaves (psicóloga) |




