Cultura

Um espetáculo de superação

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Olicio Pelosi
Espetáculo 'Enrolados' foi apresentado na noite de 11 de dezembro com ingressos esgotados no Teatro Municipal de Bauru; Audren Ruth Victorio é a segunda da esquerda para a direita (sentada)

Crianças, adolescentes, jovens e adultos que fazem acompanhamento na Sorri em Bauru encenaram, neste mês, o espetáculo "Enrolados" no Teatro Municipal e mostraram que as dificuldades diárias podem ser superadas com facilidade quando existe força de vontade, determinação e incentivo de profissionais, amigos e familiares.

A peça, versão moderna de "Rapunzel", reuniu apresentações teatrais, musicais, instrumentais e de dança e contou com cenário, figurino e maquiagem pensados para retratar com o máximo de fidelidade a história original da princesa que vivia trancada em uma torre e foi resgatada por um príncipe nada tradicional.

O papel principal, da princesa com longos cabelos dourados, coube à Alice Pires Rocha, de seis anos, que fez acompanhamento neste ano na Sorri em razão de uma dificuldade na fala e participou do curso de teatro da entidade. A mãe, Dulcineia Regina Pires, conta que a filha ficou empolgada com a apresentação.

"Ela se saiu muito bem, se divertiu muito. Quando a peça terminou, ela falou: 'Só quarenta minutos? Eu queria duas horas'", revela.

Para Dulcineia, atividades complementares como esta só contribuem para melhorar o atendimento oferecido pela Sorri. "Hoje já não vejo mais dificuldades. A gente entende tudo o que ela fala. Ela tem a dicção legal agora", diz.

Olicio Pelosi
Alice Pires Rocha, de 6 anos (à esq.), com as outras crianças

PASSO A PASSO

A cantora e jornalista Audren Ruth Victorio, que faz acompanhamento na Sorri para se recuperar de um AVC hemorrágico, conta que as aulas de música têm lhe ajudado na caminhada em busca da reabilitação da fala. Na peça, ela se apresentou com outras três pessoas que também participam da atividade.

"O grupo de música ajudou na minha recuperação. A gente do grupo sabe das dificuldades que tem. Mas é gostoso. É uma terapia. Eu tenho que dar tempo ao tempo. Não sei se volto a cantar. Mas tenho que ir aos poucos. E tenho que aprender a ser paciente, uma coisa que eu nunca fui", desabafa.

Audren faz um agradecimento especial ao professor Emílio, a fonoaudióloga Cecília e aos colegas de grupo Eleazer e Daniel.

"Antes eu não cantava, não fazia nada. A Sorri me ajudou em muita coisa. Eu voltei a andar e a conversar mais com as pessoas", ressalta. "A gente conta com o trabalho dos profissionais e, aos poucos, estou aprendendo a refazer as coisas".

A PEÇA

Mais de 80 pessoas, entre artistas, voluntários e profissionais da Sorri, ajudaram na organização do espetáculo, que teve ingressos esgotados e faz parte do programa Corpo, Mente e Bem-Estar, uma parceria com a Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) que tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Os "artistas" desenvolveram seus talentos no canto, dança, instrumentos, interpretação e artes manuais durante atividades complementares às intervenções terapêuticas tradicionais.

Para Marcela Borgo, coordenadora sociocultural da Sorri Bauru, essas atividades ajudam no processo de reabilitação.

"O tempo de ensaio revelou casos de sucessos de crianças que tinham dificuldade de memorização e hoje ajudam os colegas a memorizarem textos. Um outro muito expressivo é o de uma criança com transtorno de aprendizagem que evoluiu muito na comunicação e demonstrou ter talento para a dança", declara.

A SORRI

O Centro de Reabilitação da Sorri atende pessoas com deficiências física, mental, visual, auditiva e múltipla. A entidade é voltada a crianças, jovens, adultos e idosos de Bauru e região (áreas de saúde, educação e assistência social). (14) 4009-1000. https://www.sorribauru.com.br

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