Relendo 'Cultura e participação nos anos 60', logo em seu início a sensação é de que eu estava diante um artigo escrito nos últimos meses retratando o cenário político brasileiro.
Um Brasil repentinamente tomado por um "zelo cívico-religioso a ver por todos cantos a ameaça comunista, a vigilância moral contra o indecoroso comportamento moderno que, certamente incentivado por comunistas, corrompia a família'''.
O trecho acima é do livro escrito em 1982 e faz crítica ao ''ufanismo patriótico' adotado por grande parte da classe média de 1964 que, assolada pelo fantasma da '''bolchevização''' do país (termo hoje substituído por bolivarismo, designação rebaixada e distorcida de comunista), sai às ruas com as '''Marchas da Família com Deus pela Liberdade' em apoio ao regime militar. Regime que décadas mais tarde (anos 80) se tornaria nas palavras do eterno Raul Seixas como a charrete que perdeu o condutor.
Não podemos negar a importância da história para análise do que vivemos hoje. História não somente por sua narrativa, mas pela capacidade de interpretar todo processo humano ao longo do tempo.
Cultura e participação nos anos 60 contribui para isso. Foi escrito por Heloísa Buarque de Holanda e Marcos Augusto Gonçalves e publicado pela Editora Brasiliense.