O sr. Márcio Carvalho afirma que omitimos fatos negativos no texto que enviamos sobre o AI-5 e publicado nesta democrática Tribuna, indo mais além, afirmando que esta omissão seria voluntaria por conta de meu engajamento político e pelo fato de ter escrito Sargento Darcy, Lugar Tenente de Lamarca. Ora, quem leu o livro, hoje esgotado e prestes a sair em sua segunda edição atualizada, sabe muito bem que não nos ativemos à vida clandestina de Darcy e muito menos omitimos nada. O caso da morte do taxista, quando perseguia com seu carro Darcy e seus companheiros, o plano de sair do Quartel e inclusive a expropriação do cofre da residência da amante de Adhemar de Barros. Aliás, se defendemos que a verdadeira história deva ser contada, seríamos levianos se maquiássemos a história.
Jamais podemos nos esquecer que contra toda ação existe uma reação e os golpistas de 1º de Abril de 1964 promoveram uma verdadeira caça às bruxas, demitindo, exonerando civis e militares, por serem nacionalistas e contrários ao regime ditatorial que se instalava. Não foram apenas os militantes comunistas as vítimas da saga revanchista dos usurpadores do poder.
Muitos brasileiros, reagindo contra o Golpe, as torturas, mortes nas masmorras, decidiram por pegar em armas para se livrarem dos grilhões ditatoriais, não obtendo sucesso e enfrentando as pesadas torturas, longas prisões, exílio, banimento, por ousarem lutar, pagando desta forma, alto preço por seu vanguardismo. Criticar depois de 50 anos é fácil. Não quero acreditar que, entre tantas coisas, os militares também mentiam para justificar suas atitudes. Jamais alegaram ou justificaram que o famigerado AI-5 foi editado com base no ataque do carro bomba, e sim no já citado discurso de Márcio Moreira Alves.
Com relação à militância de Dilma Rousseff, podemos afirmar sem medo de errar que em 1968 militava na COLINA - Comando de Libertação Nacional -, que posteriormente se fundiu a VPR para o nascimento da VAR-Palmares. Desta forma, a ex-presidenta nunca foi militante da VPR. Insisto, a bem da clareza histórica, que a Comissão da Verdade não ressarciu nenhum perseguido pelo Golpe. A Comissão de Anistia e Paz, do Ministério Justiça, é quem tem competência para tal. Darcy Rodrigues foi declarado anistiado político pela lei 6683/79, sancionada pelo General Figueiredo. Entretanto, à época o exército negou-se a aplicar a progressão funcional aos anistiados, fato este corrigido com o artigo 8º do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988.
O soldado Mario Kozel foi promovido a sargento "pós morten" e sua família indenizada. Quanto ao taxista, não temos elementos para afirmar nada. Outra vez, buscando resgatar a verdade, afirmamos sem nenhum medo de errar que Dilma Lana Roussef não é anistiada política e quem quiser dar uma de Santo Tomé poderá verificar isto no site www.justica.com.br/anistia. Não vou discutir a questão dos golpes recentes, entretanto, temos a certeza que muito em breve a verdade virá à tona, mostrando que temos razão em nossas afirmativas.