Melhor dizendo, da Lagoa da Quinta da Bela Olinda. Professor e ambientalista igual a milhares de colegas e outros cônscios cidadãos que também o são, sempre procurei traduzir aos meus alunos respeito e amor pela natureza, exaltando as suas maravilhas, verdadeiras bênçãos de Deus... Os rios, oceanos e mares, a água que para nós é vida, o solo que pisamos, as montanhas, florestas, os animais e também o mundo mineral. E confesso, fiquei impactado ao ler a completa reportagem do JC de domingo último que noticia a intenção existente de aterrar essa dádiva que a natureza formou ao longo do tempo, agora alcunhada imerecidamente como a "A lagoa da morte". Não a conheço ao vivo, somente por reportagens, fotos e não tive ainda o prazer de mergulhar minhas mãos em suas águas sentindo o seu frescor nos dias de canícula como devem fazer centenas de banhistas que para ela se dirigem. No entanto entristeço-me ao ver sua pontuação e afinidade com a palavra morte. Não provocada pela mesma mas decorrente da insistência, do desconhecimento e da teimosia do próprio homem. A justificativa para seu possível fim é o elevado índice de mortes por afogamento em suas águas. Tenho o máximo respeito e reconheço a profunda dor das famílias enlutadas que tiveram entes queridos vitimados em suas águas.
A dor foi muito grande para essas famílias e o infausto acontecimento jamais será olvidado. Porém, se for observada ou transferida a mesma premissa para casos similares considerando-se os elevados índices de afogamentos, precisariam também ser aterrados o curso do Rio Tietê, do Batalha, do Paranapanema com suas belíssimas praias e as do mar.
Observando-se ainda um índice mais baixo, esvaziar as piscinas das residências e dos clubes. No meu entendimento para este problema não cabe a solução simplista de aterrar, secar para nessa área ser construída uma praça, mas discutir, usar da criatividade em matéria de segurança. Entendo tal fato como um retrocesso, andar para trás. Como será que SJ do Rio Preto faz com o seu grande e belíssimo lago urbano que abastece parte da cidade? Que se procure e enriqueça com a experiência de quem a tem para se procurar resolver o problema. Entendo que o mais alto custo que se possa ter em seu entorno para proteção dos banhistas a fim de serem evitados afogamentos, como a instalação de câmeras, guarda motorizada, posto e coletes salva-vidas, boias pontuais das profundidades, gradis, alambrados e outros recursos que poderão ser criados, representará um investimento baixíssimo tendo em vista os benefícios que serão consignados pela mesma no futuro.
Neste momento vem-me a recordação de quando eu tinha catorze anos (agora mais setenta e quatro...) quando nadava com os meus primos no Rio Tietê, na proximidade de Pederneiras, em uma maravilhosa piscina flutuante de madeira presa à margem e que oferecia, sem o sabermos, a máxima segurança a todos os banhistas. Isto, antes da construção da ponte para veículos e quando a travessia do rio era feita por balsas. Além do meio aventado para evitar as tragédias de afogamentos na injustamente batizada de "A Lagoa da Morte" entendo também que as medidas idealizadas e propostas vêm de encontro, contrariar situações vislumbradas como a cíclica seca do nordeste que vitima milhares de animais e martiriza aqueles nossos irmãos, justamente neste momento em que o governo federal tem projeto para atender aquela região com a dessalinização da água do mar.
E a luta pela inacabada transposição do Velho Chico? Outrossim, é inegável e sabida a escassez de água potável no futuro da humanidade e que já vem ocorrendo em determinado país da África e que, para nós não chegue esse tempo em que cada cidadão deverá se dirigir a determinado ponto para receber sua cota diária ou semanal de água.
Preservem a Lagoa da Quinta de Bela Olinda; que ela não seja da morte, mas de "vida". Ela não tem culpa, mas sim, nós homens. Disparando. Na modernidade em que se vive, aterrar uma lagoa para evitar afogamentos, é inadmissível.