Djavan Caetano Viana é o nome do cantor, compositor e violonista que, hoje, completa 70 anos. Quase não surpreende saber que há um Caetano em Djavan - muito mais do que se imaginava. Ambos sempre exibiram uma sintonia fina, mas o brilho, no 27 do 1, é totalmente voltado ao alagoano.
A música ganha com Djavan. Aliás, a arte toda. Inclusive agora que está com álbum de estúdio novo, o de número 20, batizado de "Vesúvio". Assim como o famoso vulcão, e com o perdão do clichê, o artista em questão também é uma força da natureza.
Engana-se quem acha que ele está no "mais do mesmo", em berço esplêndido do sucesso. Sem pressa, construiu um álbum, sim, alicerçado em seu passado criativo, mas com mensagens fundas vindas do presente estranho.
"Com tantos rancores / Faz-se uma fogueira", canta na canção "Cedo ou Tarde", a primeira de "Vesúvio" a ser liberada. Tudo a ver com esses tempos revoltos de acaloradas discussões virtuais - muitas das quais, esquecíveis. Em "Solitude" é ainda mais explícito em sua preocupação sobre as trombadas do bicho homem, inclusive na política: "Um mundo louco / Evolui aos poucos / Pela contramão".
Djavan já foi "acusado" de escrever letras românticas sem sentido, apenas fortes pelo cintilante jogo de palavras, mas isso é injusto. Ele é um dos grandes da MPB também em postura. Quando sente tal necessidade premente. As músicas novas citadas trilham tal caminho, mas isso já havia ocorrido na fortíssima "Soweto" (1987): "O poder tem tantas mãos / E só sabe mentir".
Não existe, portanto, só o Djavan-trilha-sonora-de-paixões, o cara de voz única com suas metáforas cinematográficas. Também há o construtor mobilizado, querendo consciências livres, ainda que não empunhe bandeiras.
Ademais, Djavan não teve escolha. Sina: só poderia mesmo se tornar... Djavan. Ainda que também seja Caetano. E parecia antever, em música de 1976, no seu disco de estreia, todo o reconhecimento que se desfiaria: "Muito obrigado / Por tudo o que eu tenho passado", entoa no samba "Muito Obrigado". Esse sucesso todo sempre foi fato consumado.