Tribuna do Leitor

Abrace essa ideia!

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Em passado recente minha esposa leu na imprensa um projeto denominado Abrace, idealizado e coordenado pelo promotor de Justiça Enilson David Komono, que tem por objetivo atender demandas de trabalho voluntário dentro e fora de unidades de saúde de Bauru. Voluntários são capacitados para ser acompanhantes de pacientes que não possuem familiares (idosas viúvas, crianças procedentes de abrigos, moradores de rua etc.) ou cujos familiares não tenham como prestar auxílio. Esse trabalho vem sendo desenvolvido no Hospital Estadual de Bauru, e já é um sucesso!

No fim do mês passado me capacitei, juntamente com várias outras pessoas, para participar de mais uma vertente desse projeto: o Projeto Cegonha que trabalha com o transporte de pacientes vulneráveis e recém-nascidos na Maternidade Santa Isabel. Preenchi um formulário de adesão indicando os dias, horários e por quanto tempo pretendo prestar o serviço voluntário (não há tempo mínimo, o próprio voluntário indica os dias e horários que pode ajudar e com isso montamos uma escala).

Iniciei este artigo com estas explicações sucintas para dizer que estou muito feliz com esse trabalho voluntario, pois sempre entendi que a vida não deveria ser só nascer, estudar, trabalhar, ganhar dinheiro e morrer, temos que ser útil de alguma maneira, ajudar com frequência, pois tenha certeza que a pessoa que você auxiliou lembrará de você com ternura e carinho, na realidade então quem ganha é você que acumulará tesouros que não enferrujam, apodrecem ou são comidos pela traça ou cupim, ganhará espiritualmente muito com isso.

Pelo pouco tempo que enveredei por esse bom caminho, foram escassas as jovens senhoras que conduzi até as residências, uma com recém-nascido, radiante, alegre transbordando felicidade, veio me contando das dificuldades da gestação, mas o final foi coroado de toda felicidade possível! Durante o transporte, nosso colóquio convergiu por esse caminho, lembrei a ela dos meus três filhos, que vieram a nós em épocas diferentes pela adoção, dois deles ainda com o cordão umbilical, pude entender bem todo aquele deleite. Outra, triste porque perdera pela terceira vez seu bebê, também exatamente as vezes que minha esposa abortou... pude sentir com riqueza de detalhe sua decepção, todavia com conhecimento de causa, consegui consolá-la, aproximá-la mais de Deus, e no final de nossa prosa, já em frente à sua casa ela me agradeceu a compreensão e carinho! Sou família acolhedora, já cuidei de mais de treze bebês, sei bem a maravilhosa sensação de abraçá-los!

Isso meu amigo não tem preço, fico melhor, me enriqueço moralmente, meus valores se solidificam, minha fé se escora em vigas indestrutíveis. Tenho certeza que nada acontece por acaso, sendo assim todas as pessoas que vieram e virão a mim, tem um objetivo em minha vida e eu nas delas também. Claro que tenho a consciência que existirão casos em que apenas cumprirei meu ato voluntário, mas mesmo diante dessa situação, ficarei feliz, pois foi para isso que fiz à capacitação, e como digo sempre, estou mandando para o céu meus tijolinhos de luz, que com certeza me dará uma imortalidade menos dolorosa.

Muito obrigado Sr Enilson David Komono, por esta maravilhosa iniciativa, em meio a tantas outras que o Sr já semeou, com certeza florescerá, se ampliará, ajudando e sendo ajudado por outras pessoas.

"A ingratidão corrói os ossos, e faz derreter os olhos como a cera da vela; o coração voluntário vitamina o corpo e traz um sorriso regado como a luz da candeia. " - Charlison Daniel

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