Tribuna do Leitor

De tragédia em tragédia...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 2 min

Passado o acontecido e analisando a dimensão da tragédia, é impressionante como no Brasil é preciso esperar acontecer uma catástrofe para que as autoridades se mobilizem no sentido de correr contra o tempo, na tentativa de amenizar o estrago e dar uma palavra de conforto as pessoas diretamente atingidas pelo infortúnio.

Diante de famílias desoladas pela perda de seus entes queridos e bens materiais; estradas e cidades apagadas do mapa; meio ambiente contaminado pelos rejeitos de minerais, surge atônito dos escombros da mediocridade o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, tentando justificar aquilo que é injustificável.

Se esquivando de imagens aterrorizantes, exibidas por todos os meios de comunicação, o porta-voz da empresa, com cara de assombrado, diz que vai ser aberta uma sindicância interna com a finalidade de apurarem de forma urgente e rigorosa, as causas da tragédia, para assim, punirem os responsáveis.

O governo por sua vez, através de suas autoridades diante dos microfones anunciam que a empresa, no caso a Vale, vai ser multada por negligência, que terá valores bloqueados e bens confiscados para serem utilizados no ressarcimento dos prejuízos, não só das pessoas atingidas, como na recuperação do meio ambiente afetado.

O detalhe, é que o governo não pune nenhum órgão vinculado ao próprio governo. Esta conversa de punição é balela. Até hoje as famílias das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana (MG), incluindo o próprio meio ambiente, estão esperando uma decisão final da justiça. Mas a Vale, continua recorrendo e fugindo de suas responsabilidades.

Desta vez, com o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), não vai ser diferente. Os cachorros vão latir, a carruagem vai passar e nada vai acontecer. Vivemos em um país sem noção e precário na tarefa de prevenção contra acidentes de todos os tipos.

O problema não está exclusivamente no tipo de barragem elaborada, mas sim no perigo que todas elas oferecem se não houver um gerenciamento de riscos. Quando as autoridades vão se conscientizarem e cumprirem com suas obrigações e fazerem aquilo para a qual foram nomeadas pelo alto escalão do governo? Enquanto isso, as tragédias vão acontecendo e se espalhando pelos noticiários internacionais, como um rastilho de pólvora.

Estamos correndo o risco de sermos taxados de um país retrógado. Até quando vamos continuar vendo rompimento de barragens, pontes caindo, edificações desabando, elevados cedendo e estradas mal conservadas. E principalmente, pessoas perdendo a vida por negligência de autoridades incompetentes.

 

Comentários

Comentários