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Autoria para ensinar e aprender e o desejo de estar e pertencer

Eduarda Maria de Souza Fernandes
| Tempo de leitura: 2 min

A matéria veiculada no JC de 17 de fevereiro "SARESP: aprendizado de alunos da rede pública em Bauru tem atraso de 3 anos" expõe a fragilidade da política educacional do Estado de São Paulo e seus consequentes impactos na aprendizagem do aluno e na ação docente.

A Educação paulista implantou o SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) como um elemento indispensável na gestão de sua política educacional desde 1996 com o objetivo de servir de referência para a elaboração de políticas educacionais, orientar modelos curriculares e o planejamento da escola. Hoje se revela como um dispositivo que provocou sucessivas reformas educacionais orientadas pela lógica mercadológica, com a intenção de regular os saberes desenvolvidos em sala de aula, além de um rígido controle da ação docente e a crescente culpabilização do professor frente aos resultados obtidos. Na prática, essas avaliações ofereceram muito mais informações aos gestores do que aprendizado para os alunos. A prova disso são os pífios resultados e o não desenvolvimento da aprendizagem do educando, tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio. Seus resultados revelam não só o enfraquecimento do ensino público, mas o descaso político em consertar as engrenagens de um sistema há muito enferrujado.

Considero assertivas as declarações das especialistas ouvidas pelo JC diante da divulgação dos resultados do SARESP 2018. De fato, é urgente a inserção de metodologias centradas no aluno. De fato, é preciso investimento na formação inicial, continuada e valorização docente. De fato... o modelo atual não é bom e precisa ser transformado!

Há que se superar a falta de estrutura escolar, a precarização da atividade docente, a não permanência do aluno, a ausência de um modelo que possibilite ao professor trabalhar em uma única escola. É imperativo implantar um currículo pautado na ideia de formação permanente a partir de dentro, o estabelecimento de uma cultura democrática e de participação ativa nas tomadas de decisão, a aceitação de uma escola para as classes populares, e principalmente, a proposição de uma política educacional para todos!

E uma escola para todos implica repensar as políticas educacionais em que não se possa fazer para todos. Se por um lado, o Programa de Ensino Integral (PEI) - "o oásis em meio ao deserto" - apresenta resultados melhores de aprendizagem, por outro, é excludente, pois não se pode fazer para todos! Além dos limites orçamentários, há os sociais. Assim sendo, a Secretaria Estadual de Educação precisa tornar o modelo inclusivo, ou substituí-lo.

O SARESP é somente a ponta do iceberg.

Como professora da Rede e defensora do ensino público, espero por políticas educacionais que pensem uma escola de Educação Básica que garanta a aprendizagem de todos, onde haja autoria para ensinar e aprender e que assegure a juventude paulista o desejo de estar, pertencer e aprender. E pode ser que no bojo dessa escola por mim acalentada, o SARESP não seja a expressão da qualidade de ensino.

A autora professora de História da Rede Pública Estadual Paulista.

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