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Mato e lixo encobrem trilhos no Centro

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Douglas Reis
Entre as quadras 3 e 4 da rua Antônio Alves, na região central de Bauru, mal dá para ver a linha férrea

Vendedor de uma loja de ferramentas situada na quadra 4 da Antônio Alves, Jaime Oshiro afirma que o mato alto espanta os clientes

Em meio ao mato alto, uma linha de trem. Mal dá para distinguir o espaço, situado entre as quadras 3 e 4 da rua Antônio Alves, em pleno Centro de Bauru, que abriga lixo e, consequentemente, criadouros em potencial do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Em nota, a assessoria de comunicação da Rumo, responsável pela área, alega que a empresa executa a roçagem do local regularmente. Já a prefeitura lançou mão de um decreto emergencial para amenizar o problema, que não afeta apenas esta região e torna alguns munícipes cada vez mais atentos aos "sujões".

Vendedor de uma loja de ferramentas próxima à linha férrea, Jaime Oshiro, de 61 anos, narra que o matagal toma conta da área há meses. Além da ameaça da dengue, o homem afirma que a aparência do local espanta os clientes. "Está muito sujo", reforça.

Já o proprietário de um bar localizado no entorno da linha férrea, Manoel Antônio Belo, de 56 anos, relata que chegou até a pegar a doença e tem certeza de que o mosquito saiu deste espaço. "Eles roçam de vez em quando, mas o mato sempre fica alto e, para ajudar, o pessoal joga lixo", descreve.

Em nota, a assessoria de imprensa da Rumo garante que a empresa executa a roçagem do local regularmente, mas o excesso de chuva acelera o crescimento da vegetação.

Além disso, a região faz parte do cronograma interno da companhia, que critica, também, o descarte irregular de lixo. "É fundamental que as pessoas joguem este tipo de material em locais adequados, atitude que contribui para eliminar os focos do Aedes aegypti", argumenta a Rumo, em nota.

DECRETO EMERGENCIAL

A Prefeitura de Bauru, por sua vez, decretou estado de emergência, com o propósito de evitar o aumento de casos de dengue e picadas de escorpião. Assim, todos os proprietários de terrenos particulares da cidade, incluindo a Rumo, foram notificados a partir da publicação no Diário Oficial, no último dia 31.

Conforme consta no documento, eles terão de capinar as áreas até o dia 2 de março. Se não o fizerem neste prazo, o município ou as empresas contratadas executarão o serviço e mandarão a conta.

E mais: os "sujões" serão multados em R$ 5,00 por metro quadrado. Segundo a assessoria da prefeitura, esta é a primeira vez em que a administração municipal desenvolve tal ação.

Por isso, não há necessidade de denunciar os proprietários destes terrenos, afinal, ainda estão dentro do prazo para a realização da limpeza. Entretanto, a partir do dia 2 de março, as reclamações poderão ser feitas através do e-mail ouvidoria@bauru.sp.gov.br ou do telefone (14) 3235-1156.

A prefeitura também faz a sua parte. Como o JC vem noticiando, as áreas públicas são limpas dentro da rotina de trabalho das secretarias e por meio dos mutirões, aos sábados.

Natália Offerni/Divulgação
O mato de um terreno baldio situado na quadra 14 da Henrique Savi chega à calçada

Mais conscientes, moradores denunciam 'sujões' em Bauru

Arquivo Pessoal
Outro terreno baldio, na quadra 2 da rua João Machado, está com mato acima de 2 metros de altura

A epidemia de dengue deixou a cidade em alerta. Tanto que muitos moradores passaram a denunciar ocorrências de mato alto e lixo em áreas públicas e privadas do município. Ao contrário do que se pensa, a sujeira não está somente na região periférica de Bauru, mas, também, em locais onde há intenso fluxo de veículos e pessoas, como em um terreno baldio situado na quadra 14 da rua Henrique Savi. No local, o mato alto chega à calçada.

O mesmo problema afeta outro terreno, desta vez, na quadra 2 da rua João Machado, no Jardim Marília. Preocupada, a pequena Giovana Gabriely Calestini Souza, de apenas 12 anos, que vive ao lado do espaço, procurou pelo Jornal da Cidade.

Mãe da garota, a auxiliar de logística Débora Cristina da Silva Calestini, de 32, garante que a iniciativa partiu da filha. "Nós acompanhamos reportagens sobre a epidemia de dengue e a infestação de escorpiões. Neste sentido, Giovana teme pela saúde do irmão caçula, que tem como xodó", justifica.

E não para por aí. Do outro lado da cidade, na quadra 10 da rua Bernardino de Campos, na Vila Souto, o lixo toma conta de uma área pública, conforme denuncia o aposentado Cláudio Aparecido Vicente, de 71 anos, que mora na Vila Paraíso, perto do local. Lá, uma árvore antiga, cujas raízes já invadiram o concreto, faz sombra para galhos, entulho, sofá velho e algo ainda mais preocupante: copos de plástico com água parada. "É muita imprudência", critica o idoso.

E AGORA?

Em relação aos terrenos particulares, a assessoria de comunicação do município esclarece que, no último dia 31, todos os seus proprietários foram notificados. Eles terão 30 dias para realizar a limpeza. Caso contrário, serão multados. Quanto à área pública, na Vila Souto, a prefeitura garante que retirou o lixo na sexta, porém, os munícipes voltaram a depositar resíduos de jardinagem no local. A previsão é de que o serviço seja executado, novamente, na terça.

Douglas Reis
Já na q. 10 da rua Bernardino de Campos, o lixo acumula água parada

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