Tribuna do Leitor

O desencanto do palácio encantado

Prof. Carlos Alberto Alves Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Passando pela rua 1º de Agosto, deparei-me com o imponente, embora hoje não mais, Palácio Encantado, Automóvel Clube de Bauru.

Pomposo, o Automóvel Club é um dos poucos sobreviventes da época áurea de Bauru. Fundado em 1938, tinha o objetivo de servir de espaço para reunião da alta classe bauruense. Suas grandes colunas, a arquitetura no estilo romano e a fachada branca o tornaram um dos prédios mais belos e admirados da cidade, tanto que chegou a ser chamado de Palácio Encantado.

O Automóvel Clube foi palco para acontecimentos importantes, como recepções aos presidentes do Paraguai, da Bolívia e o Brasil. Além disso, o prédio recebeu muitas festas promovidas para debutantes, para a alta sociedade e até mesmo eventos carnavalescos.

O Palácio Encantado foi tombado patrimônio histórico municipal em 28 de agosto de 2001.

Tivemos a oportunidade de apresentar vários trabalhos do teatro amador sob a direção de minha mãe, profª Celina. "Toda Donzela Tem um Pai que é Uma Fera", de Glaucio Gil, peça em que meu irmão Paulo Neves trabalhou como ator uma única vez. "Procura-se Uma Rosa", de Pedro Block. "Eles não usam Black Tie", de Gianfrancesco Guarnieri, com o Grupo Amador da Polícia Militar do Estado de São Paulo, sob a direção de Hamilton Saraiva.

Enfim, o Palácio Encantado resplandecia cultura, respirava-se em seu salão de festas harmonia de cultura/teatro/poesia. A poetisa bauruense Semiramis Mourão lançou seu livro de Poesias numa noite de autógrafos, apresentando um Jogral, do qual fiz parte, com as principais poesias que eram ricas de beleza e cultura.

O Automóvel Clube serviu para ensaios da banda e orquestra municipais de Bauru por 12 anos - tendo chegado ao fim por uma série de problemas administrativos.

Hoje, totalmente abandonado, com seus portões enferrujados, sujeira por toda parte, um descaso total que certamente perde o título de Palácio Encantado para o Palácio Desencantado de todos nós, bauruenses.

Com a palavra as autoridades, que poderia ter um olhar especial e através de parcerias pudéssemos ter ali uma Casa de Cultura, com exposições, saraus, para que o encanto voltasse a ter força no nosso Automóvel Clube.

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