São Paulo - De olho na formação do mercado profissional de tecnologia, empresas do setor - do porte de IBM, Microsoft e Samsung - têm dedicado espaço em seus negócios para formular projetos em parceria com instituições de ensino que ajudem a inserir jovens no mundo da inteligência artificial e da indústria 4.0.
Parte desse universo são 80 alunos do Centro Paula Souza, autarquia do Estado de São Paulo, que começaram as aulas em fevereiro para um ciclo de cinco anos que conjuga ensino médio, técnico e superior (tecnólogo) dentro do programa P-Tech, da IBM.
O modelo educacional da gigante de tecnologia começou nos Estados Unidos em 2011, a partir da análise do alto índice de alunos que terminavam o ensino médio e não continuavam a estudar. O programa combina as aulas regulares do currículo escolar (no caso do Centro Paula Souza, a formação em análise de sistemas) com os módulos dentro da IBM, que incluem palestras, mentoria e capacitações de diversas tecnologias - para alunos e professores.
Para a professora Ana Claudia Tiessi, coordenadora de projetos da Unidade de Ensino Superior de Graduação do Centro Paula Souza, mais do que a verticalização do currículo, a diferença do programa na vida do aluno é a empresa parceira oferecer experiência prática. "É o que chamamos de work experience. Num curso normal, o aluno só teria isso depois do primeiro ano de faculdade. Esses alunos agora têm 14 anos."
No caso da IBM, além do aspecto social de incluir jovens de baixa renda na economia digital, a visão de negócio tenta preencher o vácuo de profissionais qualificados nesse mercado. "Executivos da IBM foram entrevistados no mundo inteiro e disseram que contratam funcionários e ainda tem de treiná-los por muito tempo", relata Juliana Nobre, gerente de Cidadania Corporativa da empresa.
Segundo pesquisa da consultoria IDC citada pela própria IBM, a América Latina sofrerá uma escassez de mais de 550 mil profissionais de TI ainda neste ano. Por isso, a estreia neste ano no Brasil e na Colômbia.
SESI E SENAI
Foi pensando também num futuro muito próximo de déficit de profissionais que a Microsoft estreou, no começo de fevereiro, uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi). Ela inclui a capacitação de mão-de-obra em inteligência artificial por meio de cursos gratuitos online, sendo quatro no momento (em inglês) e outros que serão adicionados nos próximos meses.
"Nosso objetivo antes de mais nada é qualificar os profissionais para essas vagas que estão sendo demandadas. O ambiente de trabalho mudou, e as escolas têm o papel de preparar os alunos. Como o Senai é um dos maiores centros de educação do Brasil, esperamos formar 1 milhão de alunos e profissionais em cerca de dois anos", diz Daniel Maia, gerente de programas acadêmicos da Microsoft Brasil, em referência às mais de 2 milhões de matrículas anuais que o Senai faz por ano para a educação profissional e mais de 1,2 milhão de matrículas do Sesi para a educação básica regular e a educação continuada.
Para o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, a parceria com a Microsoft ajuda a antecipar o que ele chama de trajetórias tecnológicas. "Estamos sempre olhando cinco anos à frente. Isso vai estar nas competências do técnicos e dos operadores que formamos para a indústria. Essa parceria vai ao encontro de mobilizar essas competências."