| Fotos: Douglas Reis |
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| Alguns trechos do Sambódromo, incluindo as arquibancadas, estão com rachaduras |
O Carnaval mal terminou e parte do Sambódromo de Bauru, situado no Geisel, desabou na madrugada desta sexta-feira (15). Onze dias após a folia, o trecho, localizado no setor dos camarotes, cedeu, provocando uma erosão de aproximadamente 6 metros de profundidade e 40 de largura. O problema teria sido causado por diversos fatores, entre eles, a chuva intensa dos últimos dias. A Secretaria Municipal de Obras quer terminar a recuperação em três meses, porém, coloca como data limite agosto, justamente para o local poder abrigar o desfile de 7 de Setembro.
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| A erosão mede aproximadamente 6 metros de profundidade e 40 de largura |
Coordenador da Defesa Civil, Thiago Azambuja acredita que o excesso de chuva tenha desencadeado o desmoronamento. "Provavelmente, tudo começou no fundo de vale. Úmido, o solo foi arrastado"..
Ainda de acordo com Thiago, o órgão não conseguiu prever o incidente, porque o espaço não apresentava qualquer sinal. "Geralmente, quando acontece algo assim, é comum aparecerem rachaduras e buracos", justifica.
Contudo, o aposentado José Catarino Pereira, de 69 anos, que vive a poucos metros do Sambódromo, alega que a guia da calçada do trecho afetado estava tombada há bastante tempo. "Sinal de que a terra cedeu, ou seja, eu sabia que poderia dar algum problema".
Assim que tomou conhecimento do deslizamento, por volta das 7h de ontem, a Defesa Civil isolou parte do local e acionou a Secretaria de Obras.
Como o trecho permanecerá interditado até a recuperação, a recomendação é de que a população não se aproxime, afinal, a erosão pode aumentar. Tanto que diversos pontos, incluindo alguns assentos da arquibancada, estão com rachaduras.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Bauru alega que não há qualquer evento agendado, pelo menos, para os próximos meses.
E AGORA?
Titular da pasta, Ricardo Zanini Olivatto informa que a maior preocupação do município envolvia a rede elétrica, afinal, um poste de iluminação também desabou. Ainda ontem, a CPFL Paulista desligou a energia somente do Sambódromo, ou seja, não houve prejuízo à vizinhança.
Além disso, a companhia ficou de retirar o equipamento do local assim que o município começasse a recuperar a erosão. O início da obra está previsto para a próxima semana, se o tempo ajudar.
Segundo Ricardo, a região do Sambódromo é o ponto de maior concentração d'água do bairro. "O líquido desceu, de forma superficial, ao longo dos anos, fato que criou uma linha preferencial de ruptura do talude. A intensidade das últimas chuvas provocou a erosão", argumenta.
MARÇO MAIS CHUVOSO
O tempo é outro fator que pode ter influenciado. Para se ter ideia, nos primeiros 15 dias deste mês, o IPMet já registrou 223,3 milímetros de precipitação, quase a mesma quantidade de março inteiro, em 2018, quando choveu 258,1 milímetros.
No mesmo período de 2017, foram 135,9 milímetros. Em 2016, 118,9 milímetros. "Está chovendo muito mais do que nos anos anteriores", constata o titular da Obras.
E a previsão, conforme informações do IPMet, é de chuva, pelo menos, até domingo.
SISTEMA DE DRENAGEM
O secretário frisa, também, que o município precisa melhorar a drenagem. "Dentro do Sambódromo, temos tubulações com diâmetro de 40 centímetros, cuja vazão é limitada. Quando a água não consegue passar, corre superficialmente, causando erosões".
Para Ricardo, o Sambódromo possui outro agravante: está próximo ao Água Comprida. Na margem oposta à lateral do rio, existem vincos, que, aparentemente, abrigam nascentes d'água. "Pode ser que este ponto, especificamente, possuía tal característica, que, ao longo do tempo, levou ao deslizamento".
O titular da pasta só terá certeza de tal teoria a partir do momento em que remover todo o material do local. A ideia, inclusive, é restabelecer o aterro e executar uma obra de drenagem. Como o Sambódromo não é um espaço de grande fluxo de veículos e pessoas, a Obras priorizará outros trechos do município, também afetados pelas chuvas.
A expectativa é de que os trabalhos tenham início na próxima semana e terminem dentro de três meses, contudo, Olivatto coloca prazo limite até agosto, justamente para o Sambódromo poder ser usado no desfile de 7 de Setembro. "Não é uma obra barata e, lógico, deve ser muito bem planejada. A intenção é de que o próprio município faça a recuperação da área, afinal, não há risco à vida humana e uma contratação emergencial torna-se inviável", diz.
Por enquanto, o secretário preferiu não falar em valores.
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