| Douglas Reis |
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| A força da água do Rio Bauru, que transbordou (foto abaixo), arrancou e retorceu uma passarela de ferro; a estrutura encalhou a quase 400 metros de seu local de origem |
| Márcia Duran |
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| Douglas Reis |
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| Paulo Mori e sua esposa só escaparam da enchente usando uma escada para subir ao telhado da casa |
| Reprodução |
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| Imagens do circuito de segurança mostram o interior de uma loja de autopeças alagado na madrugada dessa quinta (21) |
| Douglas Reis |
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| Carlos Silveira mostra mobílias e equipamentos danificados pela lama em escola de música e dança na rua Aparecida |
| Douglas Reis |
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| Mutirão de funcionários e familiares de empresa de autopeças na rua Gustavo Maciel; prejuízo estimado é de R$ 250 mil |
A imagem da passarela de ferro retorcida e arrastada por quase 400 metros em meio ao leito do Rio Bauru dimensiona a intensidade dos estragos provocados pelo temporal. Importante via de ligação entre regiões, a avenida Nuno de Assis foi uma das mais afetadas pela chuva e contabiliza um prejuízo milionário. O Rio Bauru transbordou, por volta da meia-noite, e várias casas e estabelecimentos comerciais nas imediações acabaram invadidos pela água, que atingiu mais de dois metros em alguns pontos e deixou trechos submersos. Por volta das 2h dessa quinta-feira (21), o rio começou a voltar ao seu nível normal.
O rastro de destruição da inundação atingiu desde a quadra 1 na Nuno, onde uma passarela de concreto também teve sua estrutura danificada, até o cruzamento com a Nações Unidas, onde a outra passarela, mas de ferro, encalhou após ser arrancada. Foi preciso muito trabalho para tirar o equipamento do local no mesmo dia.
As ruas Gustavo Maciel, Aparecida, Inconfidência e Alves Seabra, que cruzam com a avenida, ficaram com trechos submersos. Ao menos 15 imóveis foram invadidos pela lama nestes endereços. Já por toda a cidade, a Defesa Civil contabilizava quase 50 atendimentos na noite dessa quinta (21).
Na quadra 1 da rua Inconfidência, um viaduto teve danos estruturais, mas o fluxo foi liberado ainda pela manhã.
No sentido Bairro-Centro da avenida Nuno de Assis foi difícil encontrar um estabelecimento sem lama. "Perdi um carregamento todo de ração animal, uns R$ 25 mil", lamenta Fernando Pampani, 86 anos, proprietário de uma loja de ração na quadra 9 da Nuno.
Eduardo Almeida, 28, dono de uma oficina mecânica na avenida, também calculava as perdas. "Entrou água no motor do carro do cliente e perdi peças e produtos", contabiliza.
Ao menos três carros e dois circulares ficaram ilhados na Nuno de Assis durante a chuva, mas foram resgatados.
RUA GUSTAVO MACIEL
Na quadra 1 da Gustavo Maciel, nenhum morador escapou da lama, que chegou antes mesmo de o rio transbordar. O comerciante Eduardo Resta Filho, 50, era um dos mais nervosos com a situação. Proprietário de uma autopeças, ele calculava prejuízo na ordem de R$ 250 mil. "A água chegou na minha cintura, consegui salvar algumas coisas e os computadores. Essa enchente é uma demonstração clara da incompetência da prefeitura, porque o Gazzetta tinha prometido abrir a calha do rio. Há um problema na saída de água da rua também. Quando o rio alaga, a água toda volta", critica.
Até um escritório de contabilidade, que fica a mais de dois metros acima do nível da rua, também foi atingido pela água. "Estamos assustados e não sabemos por onde recomeçar, perdemos mobílias e documentos importantes de clientes", diz a proprietária Rita Cruz, 33 anos.
Na mesma quadra, Júlio César Barbosa, 46, perdeu todos os móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, uma moto e um carro. "Não imaginei que subiria tanto. Tentamos salvar algumas coisas, mas, quando a água chegou no peito, estouramos a porta dos fundos e nos abrigamos (ele, a esposa, os filhos de 18 e 14 anos e os cachorros) sobre uma mesa de madeira ao lado da churrasqueira", conta. "Essa nossa cachorrinha quase se afogou", completa o morador, com a mascote Nina no colo.
RUA APARECIDA
Na quadra 1 da rua Aparecida, vários imóveis foram tomados pela água, que atingiu quase 2 metros e os moradores, alguns idosos, subiram nos telhados para escapar da lama.
"A água chegou no peito e cobriu tudo, até os carros. Colocamos uma escada e conseguimos nos abrigar no telhado", conta Paulo Mori, 74. Na correira, a esposa dele Marina Mori, 68, torceu o pé e, após o resgate dos bombeiros, foi levada para uma unidade médica. "Perdemos tudo e não sei como vamos fazer, mas, pelo menos, eu e minha esposa estamos vivos", acrescenta Paulo.
Por lá, uma escola de música e dança também perdeu tudo e mudará de endereço para recomeçar.
A Defesa Civil informou que não houve interdição em nenhum dos imóveis citados ao redor da Nuno e que as famílias não necessitaram de apoio material, somente de ajuda para limpeza.
Coordenador da Defesa Civil ajudou a socorrer família que estava ilhada
Fora de seu expediente e poucos minutos após o início da chuva, o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Thiago Azambuja, seguia para casa, por volta de 23h desta quarta, quando se deparou com uma situação que o alertou para a gravidade da chuva.
Ao chegar próximo ao cruzamento das avenidas Comendador José da Silva Martha com a José Vicente Aiello, ele observou uma família ilhada em um carro. Com ajuda de um homem, também ocupante do veículo, ele empurrou o carro para um local seguro, onde mãe e filha puderam sair.
"Eu estava de shorts e a água já estava na cintura, mas não pensei duas vezes em ajudá-los", conta Thiago. Ainda debaixo de chuva, ele diz ter continuado no local para sinalizar e organizar o trânsito para que os motoristas retornassem e pegassem rota alternativa, ao invés de arriscar a travessia pelo cruzamento. "Depois disso, soube de outros estragos e fui rodar a cidade", finaliza.
| Douglas Reis |
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| INTERDIÇÃO NO B. VISTA - No Bela Vista, a edícula de uma casa, na quadra 6 da rua Horácio Alves Cunha, acabou interditada em virtude da lama que escoou de uma obra vizinha. O piso da edícula, onde funciona o ateliê da costureira Anísia Carvalho, 76 anos, levantou e a estrutura do imóvel teve várias rachaduras. A Defesa Civil interditou a edícula. “Eu levei um susto quando vi toda essa lama no quintal. Perdi várias peças de clientes e materiais. Estou desesperada, porque a costura é minha vida, minha saúde depende disso. Gastei o que não tinha para montar o ateliê”, lamenta. |
| Douglas Reis |
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| ABANDONADO NA LAMA - Na avenida Waldemar Guimarães Ferreira, na altura na Vila Industrial, um GM/Monza que foi arrastado e ficou preso na lama continuava abandonado na manhã dessa quinta (21). A enchente no local também foi causada pelo Córrego da Grama, o mesmo que matou mãe e filha na noite de quarta (20). O córrego passa pela avenida Waldemar alguns quilômetros antes de atravessar a avenida Comendador Daniel Pacífico. Não havia informações sobre os proprietários do veículo. |
| Douglas Reis |
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| ELIAS MIGUEL MALUF - Localizada na região da Vila Dutra, a avenida Elias Miguel Maluf, via que dá acesso à rodovia Bauru-Marília (SP-294), ficou com parte da pista interditada ontem o dia todo, na altura do quilômetro 2, em razão de um desbarrancamento. O desvio foi feito pelo acostamento. Equipes do DER trabalharam para recuperar o local, que foi liberado por volta das 15 desta quinta-feira (21). O JCNET recebeu informação extraoficial, durante a chuva, de que um carro chegou a bater em uma árvore caída no local. |








