Cultura

A voz forte que já deixa saudade

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
''Descanse em paz, guerreira" - Frase postada pelo amigo Emerson Molina resume não só o impacto da perda, mas a forma como Adriana (aqui, em show no ano passado) era vista e respeitada

Aceituno Jr.
Adriana Cavallari em fase anterior da carreira: talentosa e amiga dos amigos

Tão forte e marcante quanto sua voz é a saudade que Adriana Cavallari deixa para a família, amigos e a cena musical de Bauru. Cantora há mais de três décadas, ela travava uma luta contra a metástase de um câncer há dois anos, mas acabou sucumbindo às complicações da doença, que avançou mais no fígado. Estava sedada desde a última segunda-feira no Hospital da Unimed e morreu após parada cardiorrespiratória, por volta das 21h da noite de anteontem, aos 47 anos.

Dezenas de pessoas, entre elas músicos e empresários ligados à noite da cidade,  prestaram suas últimas homenagens à artista nessa quinta-feira (28). O enterro foi realizado no fim da tarde no Cemitério da Saudade.

COMEÇO

Com trajetória também pautada pela intensidade, Adriana era uma espécie de multiprofissional. Cantora, compositora, intérprete e musicista com forte pegada no violão.

Ela chegou a se formar como fisioterapeuta com especialidade na área respiratória e atuou na área por cerca de 5 anos. Depois, decidiu viver da música.

Irmã de Cavallari, Luciana conta que paixão dela surgiu ainda na infância.

"Tínhamos uma banda e tocávamos no porão da casa meu avô, no Altos da Cidade. Começou como brincadeira, com baldes, mas quando eles perceberam que tínhamos jeito para 'a coisa'' nos deram alguns equipamentos. A Adriana ganhou um teclado", lembra. Em meados dos anos 90, elas foram convidadas para tocarem no casamento de uma familiar. Surgia oficialmente aí a dupla Adriana e Luciana, que tinha pegada forte no sertanejo.

SEQUÊNCIA

Alguns anos depois, Adriana passou a investir na carreira solo com pegada de pop rock internacional, nacional e MPB. E criou um estilo único de interpretar canções. Projetos de tributo a Fabio Júnior e Cássia Eller foram sucessos Bauru afora. 

Sem preconceito com estilos ou gêneros musicais, entoava de tudo nas noites para agitar o público. E conseguia êxito sempre.  

"A voz forte dela marcava e deixará saudades. Muita gente casou e começou a namorar escutando Adriana Cavallari. Pra mim, ela sempre será a melhor cantora de Bauru", completa Luciana.

Em 2013, lançou seu CD intitulado "Do Meu Jeito" com algumas composições próprias.

Também abriu shows de grandes nomes nacionais como Emmerson Nogueira, Roupa Nova, Sergio Reis, Fábio Jr., Crystian e Ralf, Zé Ramalho e Maria Gadu.

Em  2014, a artista travou luta contra um câncer de mama. Dois anos depois, após um acidente de carro, descobriu a metástase no fígado, pulmão e cabeça. Adriana e amigos vinham realizando shows para arrecadar recursos para seu tratamento. O último foi realizado no Aldeia Bar, em 21 de fevereiro.

Nessa quinta (28), a chopperia Do outro Lado receberia um show com cerca de 20 artistas para semelhante arrecadação.

Após a notícia da morte, o show foi mantido, mas como tributo e homenagem à cantora.

Comoção

Sobrinho considerado filho por Adriana, Hugo Leonardo Cavallari conta que ela lutou até o último momento pela vida. "Éramos confidentes e ela tinha um amor de mãe, nos conhecíamos só por olhares. Mesmo nos piores momentos da doença, ela tentava amenizar ao máximo a nossa dor se mostrando bem. Dizia que não queria desistir e tomava os remédios quando eu dava ou citavam meu nome", conta.

Namorada da cantora, Veridiana Souza também se emocionou ao falar da perda irreparável. "Ela me deu uma família maravilhosa e fez com que eu me transformasse no melhor que posso ser", cita.

Além da namorada, Adriana deixa os pais José Augusto e Rosângela, as irmãs Luciana e Fabiana, os sobrinhos Hugo, Lucas, Giovana, Júlia, Laura e Yasmin.

Aceituno Jr.
Adriana Cavallari Caption

Samantha Ciuffa
Adriana Cavallari - tributo Cássia Eller na cervejaria Servus. 05/04/2018

"Ela era um ícone da música bauruense. Mesmo com os problemas de saúde nunca deixou de cantar e encantar o público de Bauru e toda região" - Neusinha Maria, cantor do grupo Gota d'Água

"Ela deve estar fazendo um belo dueto com a Cássia Eller no céu neste momento" - Veridiana Souza, namorada

"A voz forte e voraz da Dri é marca registrada na história da música. Era uma amiga querida, parávamos até na estrada para conversar quando acontecia um encontro" - Fer Vieira, cantora e violonista

"Uma artista consagrada e que movimentava muita gente e ajudava muitas causas. Será impossível não sentir saudades da Adriana" - Adauto Filho, cantor e violonista

"Os bares e restaurantes da cidade estão em luto. Ela tinha um timbre inesquecível" - Rick Ferreira, proprietário da Labirinthus

"Tocamos juntas por 32 anos, algumas vezes até sem cachê. Fizemos vários tributo para os outros. Agora, o tributo será para ela, infelizmente" - Gi Navarro, baterista e percussionista.

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