Tribuna do Leitor

Dengue hemorrágica

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Em um desses dias que ninguém quer passar, levei minha esposa para o hospital, com sintomas da dengue, naquela mesma semana, três dias depois levei-a novamente, pois agora ela urinava sangue. E por lá ela permaneceu internada. Quando saiu, por ordens médicas, descanso de mais duas semanas, totalizando três semanas sem nada poder fazer. Aí, como diria um amigo meu, "o bicho pegou". Sempre via minha esposa lavando, passando, fazendo comida, cuidando da casa e de mais seis pessoas: três filhos, eu e duas crianças que cuidamos, pois somos família acolhedora.

E sabe qual foi a primeira orientação dela antes de ser internada? Para não deixarmos, nem que fosse interinamente as duas crianças a outra família acolhedora, nem que só pelo tempo em que ela estaria internada. Como disse, me vi em papos de aranha. Claro que eu a apoiava, era "paitorista", fazia as compras e aquelas coisas que normalmente marido faz: trocar tomada, subir no telhado para arrumar alguma quebrada, dar papinha e mama aos bebês, matar barata... De repente, lá estava eu a imaginar como executar com destreza o que minha esposa fazia com tanta "facilidade".

Tive que aprender a ligar a máquina de lavar de acordo com as roupas, o tanto certo de materiais que farão a limpeza, detergente, desinfetante, colocar no varal, recolher, guardar. Lavar as louças da pia, passar toda a roupa, dar alimento aos filhos maiores, para os nossos acolhidos, um deles de seis meses. Limpar a casa, recolher o lixo, varrer a área, e ainda tinha os peixes, hamsters, pássaros, plantas, fora o que não me lembro.

Sim, eu a ajudava com as tarefas, mas fazer sozinho é outra coisa, descobri o que já sabia: que quem é a viga mestra de casa é minha esposa, ela é a forte, a poderosa, a mais linda do mundo.

E como a boa espiritualidade não dá problemas que nossos ombros não podem suportar, aguentei firme e percebi que meu amor por ela solidificou ainda mais, que ficamos mais unidos depois desse problema. Obrigado a Ele por mais esse ensinamento, mas Bibiana, fica boa logo?!

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