Não é da ponte sobre o Rio Bauru, Batalha, Tietê ou qualquer outro, mas de uma imaginária que liga escolas do passado às do presente. Informando e revendo uma travessia por cerca de 65 anos de vivência. Portanto, não se trata de uma ponte de estrutura metálica ou de concreto cuja imagem é reproduzida na capa, mas do tempo, de memórias. "A Ponte que liga a Escola". Este é o título do livro que lancei recentemente no Centro do Professorado Paulista com grande receptividade por parte dos colegas professores e principalmente, fato que considero significativo, de outros leitores que não são da área da educação mas que pela mesma se interessam.
Quando eu estava prestes a encerrar a comercialização do meu único livro técnico editado por catorze vezes e sempre atualizado, denominado R A E (orientações), já aposentado, ouvia de colegas do Estado por onde eu circulava para as vendas insistentes pedidos para que publicasse um último narrando o que vi e fiz, as minhas experiências ao longo desse tempo. De que, certamente teria muito a comentar e informar sobre a escola do passado em comparação à do presente. De que seria lamentável o esquecimento, melhor dizendo, a perda dessas informações, inegavelmente raras e preciosas. Cobrado, e a seguir motivado, dispus-me a escrever este meu último livro com o título acima.
E diferenciá-lo, não enfocando política educacional e filosofia, mas sim revendo como eram os alunos, as escolas, exames, provas, pagamento dos abnegados professores, suas viagens, moradia, solidão e muitos assuntos. As escolas isoladas onde a professora chegava a trabalhar com cinco turmas e mesmo assim a festiva entrega do "Primeiro Livro de Leitura" no primeiro ano com a presença dos pais. Escolas que seguiam o Programa do Ensino Fundamental fornecido pela Secretaria da Educação do Estado, que continha o currículo a ser cumprido pelo professor e sobre o qual eram eram elaborados os exames finais e as provas mensais. Muitos que já fizeram a leitura deste meu livro comentaram sobre alguns capítulos como "Enfim as férias", "Ico o Sapateiro", "O trem"," "Silêncio", "verminoses", "Um Professor Especial", "A bandinha", "Jornal Escolar" e muitos outros. Sua edição foi de apenas cem volumes, pois o meu objetivo em publicá-lo não é comercial, mas apenas de resgatar a escola do passado. E mostrar que muitas ideias, realizações e decisões tomadas agora são oriundas daqueles tempos e não criações atuais.
A minha grande alegria tem sido ouvir dos colegas e demais leitores a afirmação de que foram transportados ao passado. Ainda mais, faço a seguinte ressalva ao citar muitos colegas que fazem parte desse ido. De que a menção aos seus nomes não é para provar que a minha memória ainda está boa, mas sim para homenagear estes queridos colegas que, hoje desconhecidos, muito, muito fizeram pela educação e por este pais. Finalmente, para quem são direcionados os acenos de agradecimento do alto da ponte? Primeiramente aos colegas com os quais me relacionei e que muito me enriqueceram; aos amigos que fiz no passado e no presente, ao insigne jornalista João Jabbour e pessoal do JC e, finalmente, a Deus que me concedeu esta bênção. E, em minha mente, erijo uma estátua, reverencio e agradeço ao professor desconhecido. E que esta, em algum lugar e tempo, seja uma realidade!