| Arquivo Pessoal |
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| Bauruense ao lado dos sauditas Abdulahrman e Mohammed Alharthi |
Com paixão pelo esporte desde menino, o bauruense Rafael Fernandes Rodrigues, de 26 anos, viu sua vida tomar rumos surpreendentes por meio dos ringues de kickboxing. Depois de ser campeão em diversas categorias, dentro e fora do Brasil, o lutador consolidou sua carreira como professor da modalidade e personal trainer de lutas de membros da família real na Arábia Saudita, onde mora há quatro anos.
No País, inclusive, só era permitida a prática de boxe, taekwondo e judô até 2014, ano em que Rafael se destacou em um campeonato na Argentina. "Comecei no caratê, aos 7 anos, e me formei faixa preta. Com 18 anos, iniciei no kickboxing e sempre participei de campeonatos. Fui quatro vezes campeão paulista, quatro vezes campeão brasileiro e campeão pan-americano. Em 2014, ganhei o Mundial de kickboxing amador, na Argentina, pela UMK, e era a época em que os árabes estavam procurando professores do esporte para as academias que iriam abrir no país", relembra.
| Reprodução Internet |
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| Rafael tem experiência como professor e personal de kickboxing na Arábia Saudita desde 2015 |
Por intermédio do também professor de artes marciais Thiago Mascaranhas, Rafael soube do interesse dos sheiks árabes. "Ele que enviou o meu currículo. No dia seguinte, já entraram em contato comigo. Fizemos uma entrevista por Skype e fui contratado. O Thiago também foi para lá, para dar aula de jiu-jítsu", conta. Foi assim que o lutador trancou a faculdade de Direito que cursava e, em janeiro de 2015, chegou à capital da Arábia Saudita, a cidade de Riad, onde mora atualmente. "Nós fomos os primeiros brasileiros a dar aula lá", salienta.
ADAPTAÇÃO
Ainda que a história pareça um conto de fadas profissional, o lutador conta que, para conquistar o respeito pelo esporte e os novos alunos para a academia na nova terra, foi necessário muita luta, literalmente.
"Não foi fácil no começo. As pessoas não conheciam a arte marcial e a viam como uma 'briga de rua'. Então, questionavam: para que pagar para aprender a brigar? Foi quando algumas pessoas começaram a nos desafiar no ringue. Até hoje ainda aparecem algumas pessoas para os desafios, mas já somos muito respeitados", conta.
A diferença é que, hoje, a academia em que trabalha conta com mais de 200 alunos regulares, sendo 170 só de kickboxing. "Em três meses, nós tínhamos o número de alunos esperado para um ano. Hoje, em alguns desafios, coloco algum aluno no ringue. Já temos alunos que ganharam competições em países como Tailândia e China, por exemplo", diz.
FAMÍLIA REAL
Além de professor, o bauruense também atua como personal trainer de luta para membros da família Saud, realeza saudita. "Pouco depois que cheguei ao país, um assessor de uma princesa viu uma apresentação da academia e entrou em contato comigo. Na sequência, outros membros da família real também começaram as aulas. Hoje, sou personal de quatro princesas e um príncipe", comenta.
RETORNO
Com a agenda cheia de aulas e a responsabilidade de atender à família real, Rafael deixou de lado sua atuação como competidor e passou a se dedicar mais às aulas. "Até 2017, eu ainda ia para o campeonato da Argentina, para defender o cinturão, depois passei a me dedicar somente ao trabalho como professor", diz.
Rafael já recebeu propostas para trabalhar na China, mas recusou e pensa em retornar ao Brasil. "Volto para cá uma vez por ano, mas não me imagino morando lá para sempre. Penso em voltar para ficar com a minha família", finaliza.
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