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Saudade: 25 anos sem Senna


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Reprodução internet
Após 25 anos de sua morte, idolatria por Senna segue intacta e o brasileiro é considerado por muitos o maior piloto da história

No dia 1 de maio de 1994, o Brasil chorava a morte de Ayrton Senna. O genial tricampeão mundial, que encarna a faceta de ídolo e herói nacional, morreu no GP de San Marino a bordo de sua Williams na curva Tamburello, quando liderava a prova no circuito de Ímola, deixando o País consternado e "órfão" na Fórmula 1.

Para o Brasil, Senna era mais do um piloto de F1. Acordar nas manhãs de domingo e acompanhar suas façanhas nas pistas, assistir à comemoração com a bandeira brasileira na mão passeando pelo asfalto e ouvir o hino nacional com Senna no alto do pódio eram um ritual que milhões de brasileiros viveram durante anos. Era o herói que o Brasil buscava em um momento de baixa autoestima do País. O domingo não estava completo sem Senna.

Como piloto, Senna beirava a sobrenaturalidade. Espantou engenheiros japoneses com seu ouvido cirúrgico que detectava ruídos de problemas no motor que os sofisticados computadores não demonstravam. Guiando, era completo. Reunia arrojo, técnica e uma determinação que o faziam inigualável. A morte, aos 34 anos, interrompeu sua trajetória quando era tricampeão. Com um potencial imensurável, é impossível prever quantos títulos ainda conquistaria se continuasse vivo. 

FATÍDICO

O final de semana do GP de San Marino de 1994 foi fatídico. Antes do acidente que culminou na morte de Ayrton Senna, Roland Ratzenberger e Rubens Barrichello já haviam batido forte nos treinos. O austríaco, inclusive, foi mais uma vítima fatal daquela trágica etapa do Mundial de F1 e morreu no classificatório. O piloto da Simtek não conseguiu contornar a curva Villeneuve e bateu com o carro em um muro de concreto, provocando uma fratura em seu crânio pela força do impacto a mais de 300 km/h. 

Após saber da morte de Ratzenberger, Senna reuniu os pilotos para recriar a antiga Comissão de Segurança dos Pilotos, a fim de pedir melhorias na segurança da F1. Como um dos participantes mais experientes da categoria, ele se ofereceu para liderar o movimento. Por alguns instantes, os pilotos cogitaram não correr, mas atenderam a um pedido da FIA e concordaram em competir no dia seguinte.

Ayrton saiu na pole, mas a Benetton de J.J Lehto "morreu" na largada e Pedro Lamy, da Lotus, não conseguiu desviar. No acidente, partes dos carros voaram para a arquibancada e feriram nove pessoas. Apesar dos pilotos sequer se machucarem, o safety car foi acionado e ficou na pista por cinco voltas até que o local do ocorrido fosse limpo.

Duas voltas depois da relargada, Senna liderava e entrou na curva Tamburello, onde perdeu o controle do carro por causa de um problema técnico na barra de direção de seu carro e se chocou violentamente contra o muro de concreto. A telemetria, posteriormente, mostrou que Ayrton até conseguiu reduzir a velocidade de cerca de 300km/h para 216km/h. Por conta da força do choque, uma bandeira vermelha, que sinalizava para que todos os carros voltassem aos boxes até segunda ordem foi acionada.

ESPERANÇA

As imagens do atendimento médico a Ayrton foram transmitidas mundialmente, sem cortes, através do sinal gerado pela emissora italiana RAI. Em determinado instante, a cabeça do brasileiro se mexeu levemente, e o mundo, que acompanhava pela televisão, imaginou que nada de mais grave havia acontecido, mas esse movimento aconteceu em decorrência de um forte dano cerebral.

Senna foi removido de sua Williams completamente destroçada por Sid Watkins, neurocirurgião de renome mundial, recebeu os primeiros socorros ainda na pista e foi levado de helicóptero ao Hospital Maggiore de Bolonha. A esperança de todo o mundo, sobretudo dos brasileiros, foi encerrada duas horas e 20 minutos depois que Michael Schumacher venceu o terrível GP de San Marino, quando a equipe médica anunciou a morte cerebral do tricampeão da categoria.

Posteriormente, Watkins declarou o que a grande maioria das pessoas já desconfiava. "Ele estava sereno. Eu levantei as pálpebras e estava claro, por conta de suas pupilas, que ele teve um ferimento maciço no cérebro. Nós o tiramos do cockpit e pusemos no chão. Embora eu seja totalmente agnóstico, eu senti sua alma partir naquele exato momento".

Com a morte de Ayrton Senna confirmada, uma imagem ficou marcada na mente de seus fãs. Momentos antes do início do GP, o brasileiro foi flagrado olhando de maneira distante para sua Williams. Parecia até prever o que estava para acontecer.

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