| Douglas Reis |
| Eliseu Areco vai montar plano piloto para depois buscar escala visando projeto de reservação |
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) vai adiar a implantação do plano de doação de caixas d'água para aumentar a capacidade de reservação nas próprias residências. A autarquia concluiu a licitação, por ata de registro de preços, mas não vai comprar as 10 mil unidades iniciais de 500 litros, nesta etapa indicadas para serem instaladas em residências no Alto Batalha, região onde está o Jardim Ouro Verde.
A definição é do arquiteto Eliseu Areco Neto, que assumiu a presidência da autarquia no mês passado. "O conceito do programa é bom, fundamental para que o consumidor também participe da ideia de reservar água e com capacidade para sustentar o consumo médio de acordo com o número de pessoas em uma mesma residência. Mas o sucesso dessa ação depende de elementos técnicos, de critério consolidado para a relação entre abastecimento, produção e reservação e regiões da cidade. Além disso, sem amarrar esta ação com capacidade de fiscalização de implantação, garantia técnica (ART) de instalação correta, custo de implantação e efetividade, a ideia se perde", avalia.
O aumento da capacidade de reservar água nas residências está inserido no Plano Diretor de Água (PDA), contratado ainda no governo Rodrigo Agostinho. A gestão anterior do DAE, presidida pelo engenheiro Eric Fabris, incluiu a ação em sua primeira etapa no Plano de Estiagem, anunciado no ano passado. Do ponto de vista orçamentário, a proposta foi de aquisição de reservatórios de água de 500 litros para a distribuição de caixas nas casas, ao invés do investimento previsto de grandes reservatórios em pontos específicos.
Para Areco Neto, a doação isolada de caixas d'água não vai garantir efetivação. "Queremos dimensionar qual é o custo de instalação das caixas pelas famílias. Garantir um projeto com capacitação para este modelo de instalação, inclusive com ART. Vamos chamar a Assenag para discutir isso. E chamar a Sebes para discutir um programa piloto, mas para 50 famílias, em um local indicado a partir de vulnerabilidade social. A partir desta experiência, com modelo operacional e de instalação definidos, teremos condições de dar o próximo passo", complementa o presidente.
Na argumentação original do plano de reservação residencial, o DAE converteria o investimento em grandes reservatórios, no orçamento, na opção residencial, sem onerar a despesa para esta finalidade.
De outro lado, com a alteração na lei que garante - a partir de agora - mais recursos para investimento em abastecimento, a presidência do DAE terá de apresentar à Câmara a programação de aplicação desses recursos. O projeto de lei que trata dessa movimentação orçamentária está em andamento no Legislativo, em regime de urgência. Nele está que o DAE terá ao menos R$ 12 milhões, ainda neste ano, para investir.
A autarquia vai apresentar a destinação dos recursos, para garantir que essa "verba adicional" (desvinculada do fundo de tratamento de esgoto através da alteração na lei) não caia no caixa geral do DAE.