Quasimodo e Esmeralda são personagens de um romance fictício de 1831, do escritor Vitor Hugo ( 1802 - 1885), "O Corcunda de Notre-Dame", a linda história de amor e sofrimento que tem como cenário a catedral de Notre-Dame, em Paris. A majestosa igreja quase foi destruída por um incêndio, triste fim para uma estrutura de mais 700 anos, para os amantes de história, um choque, um desalento.
Apesar das perdas de obras insubstituíveis, tudo há de perecer, há sempre o fim para tudo. Depois de rodeios, vamos ao que interessa e levá-los aonde quero chegar. A reconstrução ou reparação dos danos causados por tamanha tragédia custará bilhões, e nem assim poderá ser recuperado em todo seu esplendor.
Os bilhões já estão chegando, é muito dinheiro vindo de diversas partes do mundo, inclusive de nossa pátria, bilionários preocupados com a falta que fará esta magnífica obra para a humanidade. Nós aqui dos trópicos tivemos diversas perdas de monumentos da nossa breve história, e pasmem: não houve doações bilionárias para sua reconstrução, esperamos os numerários apenas dos cofres públicos.
Sou amante da história e gosto de antiguidades, penso mesmo que devemos preservar de maneira incansável o que resta de nosso passado, todavia, estou indignada, e talvez eu não esteja só. A belíssima catedral é admirada em todo mundo, faz parte de inúmeras Selfies, afinal é Paris, um glamour, um luxo!
Nossos palacetes, cá em terras tupiniquins, caem com as chuvas e por falta de manutenção. O nosso Museu do Ipiranga - SP, onde está guardada a história real de uma nação inteira, está há meses, ou mais, fechado para reformas. Por falta de verbas as obras não andam, e não houve doações de um de seus conterrâneos milionários para salvá-lo. É nossa história real não tem glamour, afinal foi protagonizada por caboclos, índios, negros.
Talvez seja o estigma de vira-latas que corre em nossas veias, não nos valorizamos, nem a nós e muito menos a nossa breve história, doar para reconstrução ou preservar monumentos do Brasil, não será noticia mundial, não dará fama, e nem haverá flash!
Minha indignação vai além, muito além de monumentos históricos, precisamos preservar a história, sem dúvida, todavia, a preservação maior é de quem faz a história, os seres humanos, os personagens de romances reais. Pessoas que diariamente perdem suas vidas, no mundo todo. Alguns personagens vivem apenas minutos, horas e morrem, por falta de dinheiro, por falta de doações.
Será mesmo necessário gastar bilhões em preservação de monumentos se alguns dos protagonistas, jamais terão a chance de conhecê-los?
Se antes de doar para preservar cimento e pedra, não seria mais glamoroso salvar vidas? Preservar os ossos de uma coluna vertebral de uma criança desnutrida, que não encontra forças nem mesmo para chorar?
Longe de querer dar pitaco no dinheiro alheio, cada um faz o que quer e como quer. Apenas um desabafo, um mergulho no abismo das diferenças de 99% da população, para 1% dos humanos bilionários do planeta. Cada mergulho, um flash! Mergulho este, que leva para morte o pouco da dignidade que resta ao ser humano! Que desatino.
Quem sabe uma utopia? Como sonhar não se paga imposto e nem ocupa espaço! Imaginemos uma união das maiores fortunas mundiais, com doações bilionárias com flash e tudo, e com isso pudessem preservar a maior criação do universo! O ser humano! O personagem principal das histórias reais do nosso planeta Terra!
Vamos sonhar porque, afinal de contas, sonhar não custa nada! No Brasil, pelo menos, por enquanto.