| Samantha Ciuffa |
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| O diretor de Saúde Coletiva, Mário Ramos, afirma que educação é fundamental para combater |
O município de Bauru vive a pior epidemia de dengue de sua história, com 16.878 casos confirmados e 17 mortes, porém uma parte da população parece ainda estar pouco preocupada com a gravidade da situação. Em média, de cada quatro casas visitadas pelas equipes de fiscalização da Secretaria de Saúde, uma está fechada, mesmo após novas visitas e em dias e horários alternativos. O acúmulo de água parada é o que permite a proliferação das larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Como 80% dos criadouros são encontrados nas residências, isso ajuda a entender por que a cidade lidera o ranking nacional de casos, e já tem neste ano o dobro do número de casos de 2015, quando enfrentou até então sua pior epidemia, na época com 8.482 registros. Além disso, as 17 mortes já superam os óbitos de todos os anos anteriores somados.
Em audiência pública na Câmara, ontem, o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Mário Ramos, apresentou as ações que foram realizadas nos últimos dois anos, e o que deve ser feito para evitar nova epidemia em 2020. A audiência foi chamada pelo vereador Manoel Losila (PDT), que entende ser necessário já se preparar para o ano que vem, uma vez que a partir de agora, há um tendência de redução de casos neste ano, mas com risco de novo cenário de caos se nada for feito.
O chefe de seção de Meio Ambiente da Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde, Roldão Pucci Neto, mostrou na audiência que, infelizmente, os agentes ainda encontram dificuldade com parte da população.
Apenas neste ano, já foram realizadas 216 mil visitas em imóveis, mas em 27%, nenhum morador atende. O número de imóveis fechados na primeira visita costuma ficar na média de 45% das residências, percentual que cai para 27% na segunda visita, quando os fiscais tentam entrar nas casas que ficaram pendentes.
Mas, de acordo com ele, o número considerado aceitável seria de 15% a, no máximo, 25% de imóveis fechados. "Os servidores estão atuando até em final de semana e em horários diferentes, como o começo da manhã, para encontrar as pessoas em casa, e mesmo assim em parte dos imóveis não é possível fazer a vistoria, o que certamente atrapalha. Encontramos casos até do servidor chamar, perceber que há alguém no imóvel, e a pessoa não atende, o que entra também como imóvel fechado. Agora quando o morador atende, raramente há recusa em permitir a entrada", afirma.
ARMADILHA
Uma das principais novidades é a utilização das chamadas armadilhas disseminadoras - que atraem a fêmea do Aedes aegypti a potenciais criadouros, nos quais uma substância impedirá o desenvolvimento das larvas. Esse mesmo produto se fixa às patas da fêmea, que disseminará o inseticida a outros pontos com água parada.
Diretor de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, Mário Ramos afirma que a técnica é desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sua implantação em Bauru será negociada pela administração local junto ao governo federal.
CRIADOUROS
Outro ponto que chama a atenção é o número de criadouros identificados pelos fiscais. Em 44% das casas, os agentes encontram pelo menos um criadouro, revelando que a conscientização, mesmo em cenário de grave epidemia, parece distante para alguns. O diretor do DSC, Mário Ramos, frisa que a aposta maior é na educação. "O que mais precisa mudar são os hábitos da população. A prefeitura faz mutirões de limpeza, mas ainda tem pessoas que jogam lixo pela janela do carro, descartam material em terreno. Enquanto a população não se conscientizar, será impossível acabar ou reduzir bastante o problema. O que mais estamos desenvolvendo agora são ações com a educação, parcerias com as escolas, levando esse conhecimento para as crianças, para que possamos ter uma mudança", lembra.
AUMENTO
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, Rafael Arruda, lembrou que entre 1 de janeiro e 1 de maio deste ano, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) fizeram 291.932 atendimentos, contra 179.371 no mesmo período do ano passado, um crescimento de 62,7%, em função da epidemia.
Saúde fala em tendência de redução
A Secretaria de Saúde apresentou nessa terça-feira (14) o novo balanço da dengue em Bauru, com a confirmação de 1.058 casos autóctones, registrados entre 1 de janeiro e 31 de março. Ainda de acordo com a pasta, em abril houve redução de 66% de notificações em comparação ao mês de março, apontando tendência de queda, mas ainda não é possível falar em fim de epidemia no município.
A notificação é relativa a casos suspeitos. Depois, são necessários exames para a comprovação da doença. Há também casos que são registrados com base em critério clínico-epidemiológico, ou seja, não houve a coleta de sangue, mas os sintomas apresentados configuram dengue. Cerca de 70% dos casos foram comprovados por exame, e 30% pelo critério clínico-epidemiológico. Na audiência de ontem, a prefeitura afirmou que foram quase 28 mil notificações neste ano até o momento, com os quase 17 mil casos confirmados e outros em análise. Também já são 17 mortes, e outras seguem sob investigação pelo Instituto Adolfo Lutz, em SP.
Previsão: vacina, mutirões e epidemia infantil no futuro
Ainda na audiência dessa terça-feira (14), o diretor do DSC, Mário Ramos, afirmou que apenas a criação de uma vacina eficiente contra os quatro sorotipos de dengue permitirá uma redução drástica de casos. Ele cita que o governo federal deveria colocar como prioridade a criação da vacina contra a dengue e ainda contra as outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Os mutirões de limpeza também passarão a ocorrer mensalmente a partir de agora. O primeiro foi em abril, na região da Vila Falcão, e outro foi feito no Geisel e Redentor. O próximo, nos dias 23, 24 e 25 de maio, ocorrerá no Bela Vista, com o recolhimento de materiais que podem virar criadouro, destaca o secretário de Administrações Regionais, Donizete do Carmo dos Santos.
Já o chefe de seção de Meio Ambiente, Roldão Pucci Neto, frisou que o risco de novas epidemias é para o público infantil, o que aumentaria o potencial de mortalidade. Como as populações adulta e idosa começarão a ficar imunizadas contra a dengue, a tendência é que mais crianças sejam acometidas pela doença, público que possui imunidade menor.
