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Sinal amarelo

Edson Valentim de Freitas Filho
| Tempo de leitura: 3 min

O ambiente da crise é que amadurece e revela o caráter do líder. Ser eleito na bonança, em tempo de crescente arrecadação, assim como administrar com dinheiro no caixa, é fácil até para quem não é líder. Basta distribuir dinheiro, como faz o governo federal, ou aplicar aleatoriamente e sem qualquer planejamento, como faz o governo municipal. No entanto, todos os que acompanham com atenção a administração federal já esperavam por um freio na economia e pelo ressurgimento do fantasma da inflação, uma vez que nossos governantes administram o país ideologicamente e não com ações administrativas de planejamento para longo prazo.

Tanto o federal quanto o municipal (até parece ser discípulo um do outro) perderam excelente oportunidade de reformas estruturais que preparassem o município e o país para o futuro. Agora estão correndo atrás do prejuízo. Nosso governante local, em certos momentos, nos causa temor, pois passa a nítida impressão de não saber o que fazer, não ter controle sobre seus assessores e não ter a mínima ideia do que deseja para o futuro da cidade. Basta olhar as idas e vindas, avanços e recuos, o faz e desfaz, o "diz que é" e o "diz que não é", o "sabe" e o "não sabe". Um exemplo disso é o caso da Fundação Regional de Saúde. Outro é a novela da dívida da Cohab, que vem de longa data e nosso administrador sabia e já a conhecia ? mas nada fez em todo o seu primeiro mandato, deixando a dívida crescer como fizeram seus antecessores, como que na expectativa de empurrar o abacaxi para seu sucessor, e só está se movimentando porque a Caixa cutucou e as finanças da cidade foram ameaçadas.

A dengue já é uma epidemia na cidade e é uma lástima vermos todo início de ano a mesma história ? o corre-corre para mobilizar a população depois que a doença já se alastrou. Quantas mortes mais serão preciso para que se acorde para o problema? Perguntinhas básicas: onde estão as "armadilhas" compradas com o dinheiro do contribuinte em governo passado para ações de prevenção? Por que só se deixa para agir quando o problema já está instalado? Resposta básica: porque temos uma administração "reativa", que só sabe agir quando os problemas aparecem, não sabendo planejar e agir preventivamente. A esses temas poderíamos incluir as idas e vindas em relação à administração do DAE, a já crônica falta d?água em vários bairros da cidade, a falta de um novo distrito industrial decente, a burocracia que impede novas indústrias na cidade, etc.

Mais do que nós, o governo municipal sabia que os recursos extras advindos do Refis chegariam ao fim, pois obviamente cada parcelamento tem um prazo para acabar. Sabe que os recursos do IPTU tem prazo para entrar nos cofres municipais. E como todo político que administra dinheiro de terceiros começa a olhar em volta e se perguntar de onde vir mais recursos para continuar sua "reatividade". Eis que chegou a hora de o administrador mostrar maturidade e firmeza de caráter para agir com sobriedade e planejar, não para o agora, mas pensando a cidade para os próximos anos.

Aliás, há muito carecemos, em Bauru, de uma liderança que tenha independência para planejar e pensar a cidade para o futuro. Infelizmente a cada administração percebemos que o que prevalece são os interesses partidários e, principalmente, os interesses econômicos de uns pouquíssimos em detrimento do povo. Com isso Bauru vai ficando para trás e, assim como o Brasil, perdendo o bonde do crescimento e de sua prosperidade.

O autor, Edson Valentim de Freitas Filho, é pastor e professor de Ética Cristã)

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