A quem devemos mesmo temer a não ser o próprio homem, este que muda pouco, seja aqui ou acolá? Sempre egoísta, querendo tudo pra si, e o que não lhe interessar, sendo de pouca valia, a seu bel prazer, poderá servir aos outros. Quer e não medirá esforços para estar sempre à frente, acima de qualquer um, nessa peleja chamada de vida.
No entanto, um dia saberá que o tempo, esse sim é o Senhor da razão, somente ele, e a seu tempo, a seu modo, irá colocando os pingos nos nossos “is”. Ficando o homem, enquanto ainda não for tocado, pensando que está no poder, como se a vida fosse uma empresa, um negócio, e ele estivesse no comando mor.
Mas os mudos tic tacs do relógio, embora muitas vezes desapercebidos, vão devagar desconstruindo tudo, o que já fora construído. Lei do universo, caro, se não subitamente, vamos todos devagar entendendo as coisas, e vendo o quão tolos temos sido ao constatarmos que o vento trabalha a favor tempo, de simples brisas aos vendavais, e que esses de uma forma ou de outra não deixaram nada no lugar.
Por isso, melhor não querermos abocanhar tudo de uma só vez, melhor degustarmos o sabor da vida sem pressa, quantas frutas maduras podemos comer, diante de um pé carregado, ou quantas poderemos armazenar para tempo posterior, sem que estas não alterem seu sabor? Seremos mais felizes se reconhecermos o quanto antes que as brisas podem se transformar em vendavais a qualquer momento, e o tempo, tic tac...