| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| A professora Letícia Camargo Trevisan, de 24 anos, viu um vídeo de uma tartaruga marinha com um canudo de plástico no nariz e nunca mais usou o item descartável |
Práticos, portáteis e, acima de tudo, sustentáveis, os canudos de vidro, bambu ou inox caíram nas graças dos bauruenses. Do ano passado para cá, diversas pessoas optaram por levar o próprio utensílio para qualquer lugar. Também pensando em preservar o meio ambiente, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, no último dia 13, a proibição destes itens produzidos através do plástico. No município, o vereador Roger Barude (PPS) incentiva o projeto "Canudo que Salva" (leia mais abaixo).
A jornalista Vitória Palmejani Augusto, de 23 anos, decidiu dispensar o cilindro de plástico já há algum tempo. No final do ano anterior, uma conhecida começou a vender produtos alternativos e ela comprou um deles, feito de inox.
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| Letícia se preocupa com o ecossistema marinho |
Em seguida, foi à praia. "Tomei caipirinha e água de coco com o novo utensílio. Muita gente me abordou, perguntando onde havia adquirido", acrescenta.
Além do canudo, Vitória também comprou uma escova, que faz a limpeza do produto, e uma bolsa personalizada, utilizada para guardar ambos os itens. Desde então, os leva para bares, festas e afins.
CONSCIENTIZAÇÃO
Assim como Vitória, Ariane Frassato Generozo, de 24 anos, começou a evitar canudinhos de plástico tão logo tomou conhecimento do prejuízo causado ao meio ambiente, quando o material é descartado de forma irregular.
Então, descobriu que uma conhecida vendia produtos alternativos e também comprou um utensílio de inox. "Paguei R$ 20,00 no kit, composto por canudo, escovinha e bolsa personalizada", frisa a jornalista.
Para ela, valeu a pena. "É uma ação isolada, mas já ajuda. O kit é prático e consigo levar para qualquer lugar. Fica dentro da minha bolsa", complementa.
A professora Letícia Camargo Trevisan, de 24 anos, concorda com a jornalista. "Eu sou formada em Biologia e a minha grande paixão é a tartaruga marinha. Certa vez, vi um vídeo no qual uma pessoa retirava um canudo de plástico do nariz deste animal. Fiquei chocada e nunca mais utilizei o produto. Agora, só cilindro de aço".
VIROU LEI
No último dia 20, uma imagem chocante rodou o mundo: um urso polar faminto revirava o lixo, a 800 quilômetros do seu habitat natural, em Norilsk, no Ártico Russo.
O caso não é isolado. Muitos outros animais já chegaram a se alimentar do que o ser humano descarta de forma irregular e o plástico está entre os principais produtos.
Em vista disso, a Alesp aprovou, no último dia 13 deste mês, um projeto de lei que proíbe o fornecimento de canudinhos, feitos deste material, em estabelecimentos públicos do Estado de São Paulo.
O projeto, de autoria do deputado estadual Rogério Nogueira (DEM), envolve restaurantes, padarias, bares, hotéis, clubes noturnos, salões de dança e eventos musicais de qualquer espécie.
SUBSTITUTOS
Pelo texto, tais locais devem substituir o cilindro de plástico por versões em papel reciclável, material comestível ou biodegradável. O governador João Doria (PSDB) ainda precisa sancionar a medida. Conforme informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo, não há previsão para tanto.
Na Capital, a proibição foi aprovada pelo Legislativo em abril, mas falta a validação do prefeito Bruno Covas (PSDB). Apesar disso, bares e restaurantes já têm buscado opções para substituir a versão tradicional.
Projeto local tem baixa adesão
No final do ano anterior, o vereador Roger Barude (PPS) apresentou um projeto de lei que visava proibir a distribuição de canudos e copos de plástico em bares e restaurantes do município.
Apesar de estar em acordo com medidas tomadas no mundo inteiro, o texto esbarraria na falta de empresas responsáveis pela fabricação de cilindros de papel e copos de outros materiais - de preferência, biodegradáveis -, além de fiscalização pela prefeitura. Foi, então, que surgiu a campanha "Canudo que Salva".
Como o JC já noticiou, o parlamentar retirou o projeto de lei da Câmara e, em seguida, anunciou como funcionaria a iniciativa, que ainda possui uma proposta beneficente.
Com apoio da Plasútil, a campanha recebeu 2 mil lixeiras, destinadas ao recolhimento dos canudos. Elas seriam distribuídas em bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, clubes, entre outros. Por enquanto, 20 estabelecimentos aderiram à proposta, incluindo o Jornal da Cidade.
Já a Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC) recolhe os cilindros plásticos e vende para cooperativas ou empresas de reciclagem, ficando com toda a verba arrecadada, como forma de ajudar na manutenção da entidade.
De acordo com Barude, a população precisa de conscientização, não de proibição. "Só que a procura está devagar. Contudo, estou trabalhando para buscar parceiros que instalem essas lixeiras, como a própria Prefeitura de Bauru".
SERVIÇO
Os interessados em ter, gratuitamente, uma das lixeiras poderão entrar em contato com a ABCC, pelo (14) 3222-3808. A instituição atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30, e fica na rua Nóbile Di Piero, 32, no Centro.
Estratégia global
O debate sobre o lixo tem ganhado cada vez mais visibilidade em todo o mundo. O problema requer o engajamento da sociedade para propor mudanças relevantes. O ecossistema marinho afetado pelo plástico, por exemplo, inclui as praias, o mar aberto, as geleiras e as profundidades oceânicas.
Anualmente, aproximadamente 9 milhões de toneladas de resíduos do tipo chegam aos oceanos e, segundo diferentes estimativas, poderiam permanecer no ambiente marinho por até 450 anos.
O Brasil é um dos países que mais gera lixo plástico em todo o mundo, conforme dados da organização ambiental WWF Internacional. Além disso, cientistas encontraram microplástico em centenas de espécies aquáticas, afetando, também, a cadeia trófica: mais da metade delas acaba em nossa mesa. Logo, o consumo consciente e a redução do uso do plástico fazem parte de uma estratégia global. Inúmeros governos, cidades e estabelecimentos se engajam na proibição do canudo produzido através deste material. O Rio de Janeiro foi a Capital pioneira neste sentido. Pelo menos, cinco Estados e 30 municípios brasileiros também aderiram à causa (com informações do Estadão Conteúdo).

