| Denise Guimarães/Divulgação |
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| Gato é fotografado no câmpus da USP Bauru; controle populacional é feito com a castração |
Para controlar a população de bichos que vivem nas redondezas, desde outubro de 2018, o câmpus da USP de Bauru conta com uma comissão dedicada ao trabalho de manejo com animais que habitam e circulam por diversos locais internos e no entorno do câmpus.
No momento, a população de gatos é a prioridade do grupo. A Comissão de Manejo de Animais do Câmpus USP de Bauru é composta por representantes das três unidades, PUSP-B, FOB e HRAC.
"Devido à presença de felinos ferais e errantes, priorizamos trabalhar com o manejo destes animais. As ações propostas são baseadas em experiências de outros campi, trabalhos acadêmicos e parcerias com a Prefeitura Municipal de Bauru, entre outras. Foi entendido que o controle populacional organizado é a melhor solução para o caso", informa o arquiteto Vítor Locilento Sanches, chefe Técnico da Divisão de Manutenção e Operação da PUSP-B e presidente da Comissão.
Anteriormente à criação da Comissão, montou-se um grupo de trabalho com a finalidade de elaborar o diagnóstico da situação dos animais no câmpus de Bauru, assim como desenvolver estudos de metodologias de manejo.
Este grupo, além de Sanches, foi integrado pelos servidores Simone Berriel Joaquim Simonelli, Pedro de Araújo Filho, Paulo Roberto da Silva e Carlos Renato João. Os resultados apresentados por este grupo deram a base para os trabalhos atuais da Comissão.
Sanches lembra que o câmpus não é o local ideal para manter gatos. "A Universidade não possui estrutura para cuidar dos animais, a alimentação é custeada por voluntários que se sensibilizam com esses animais sem lar e aumentar a população local somente sobrecarregaria mais os custos dessas pessoas".
A recomendação da Comissão é que caso alguém encontre gatos, cães ou outros animais que necessitem de ajuda, estes deverão ser encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou à ONGs preparadas para ajudar a resolver situações de doença, abandono e até para futura adoção.
"É importante ressaltar que o grupo não completou um ano de trabalho e, segundo relatório realizado pela ESALQ-USP, a experiência de resultados em ação similar na Universidade da Flórida (EUA) levou 11 anos para ser considerada com sucesso. Então, acredito que obtivemos um bom resultado até o presente, mas que teremos continuidade no trabalho", diz Sanches.
Entre os tópicos prioritários das ações da Comissão estão: abandono de animais, conceito de manejo, importância do CED (capturar, esterilizar, devolver), importância da alimentação coordenada e organizada, animais errantes e ferais (não domésticos).
A organização de alimentação e a castração se mostraram eficientes, pois não foram observadas, até o momento, novas ninhadas como era frequente no câmpus. Os alimentadores também não notaram aumento populacional.
"É importante ressaltar que a Comissão não é executiva, temos caráter de assessorar os dirigentes em decisões sobre a questão e colaborar com a definição de metodologias. O trabalho de alimentação, cuidados com água e captura dos animais para castração é feito por voluntários que já realizavam essas atividades antes da Comissão", conclui o presidente da Comissão.
ALIMENTAÇÃO
Os interessados em alimentar os animais foram instruídos a concentrar a alimentação em pontos definidos pela comissão de manejo.
Também foram orientados a apenas oferecer ração seca. Essa medida colabora para que sejam evitadas rações em locais que possam causar perigos aos animais e aos humanos (como em estacionamentos com risco de atropelamento, por exemplo).
Além de manter o câmpus limpo a ação requer que os potes de água sejam limpos diariamente pelos alimentadores para evitar proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue e outras doenças.
CASTRAÇÃO
Essa ação faz parte do conceito de manejo de felinos que é de "capturar, esterilizar e devolver" (CED) - uma metodologia internacional.
Para controlar os animais que já foram castrados pela equipe são feitas marcações na orelha (sem dor ou prejuízo ao animal), assim evita que o mesmo bicho seja capturado mais de uma vez para castração ou, até mesmo entre em cirurgia já sendo castrado.
A castração evita a ocorrência de ninhadas e aumento populacional. A devolução ao câmpus é devido ao instinto dos animais que não estão domesticados para aceitarem adoção.
O número fixo de animais, sem aumento populacional, também faz parte do manejo de felinos, uma vez que são animais territorialistas e não permitem novos membros no grupo com facilidade.
As castrações são feitas com parceria entre a USP de Bauru e o CCZ, sem custo. Alguns animais também foram castrados por meio de financiamento coletivo dos alimentadores em clínicas particulares da cidade que atuam em parceria.
PLACAS DE ALERTA
Foram instaladas placas de aviso em edifícios voltados para a rua que alertam sobre a proibição em relação ao abandono de animais por conta da Lei Federal nº 9605/1998.
A referida lei considera crime e pune com multa e detenção as pessoas que abandonarem animais em qualquer local.
Essa medida ajuda internamente a evitar ainda mais abandono no câmpus de Bauru, ao mesmo tempo em que alerta a população para essa lei que é válida em todo território nacional.
