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| Diretor do IPC Marketing, Marcos Pazzini: restrição é geral |
O potencial de consumo em Bauru cresceu nos últimos cinco anos, mas está sobrando menos dinheiro no bolso dos moradores da cidade para comprar produtos que estão fora da cartela de itens considerados essenciais. É o que revela o Índice de Potencial de Consumo (IPC Maps), elaborado pela empresa especializada em informações de mercado IPC Marketing.
De acordo com o estudo, as famílias bauruenses deverão gastar 36,3% mais em 2019, na comparação com 2014. Porém, segmentos como transportes urbanos, alimentação no domicílio, artigos de limpeza e despesas com medicamentos estão entre os que mais ganharam peso nas contas do mês, com altas, respectivamente, de 83,1%, 67,5%, 64,8% e 62,7%.
"Estas são despesas essenciais da população, o que denota um aspecto negativo: as pessoas estão comprometendo mais o seu orçamento com itens de primeira necessidade. Como consequência, menos sobra para outras demandas, como viagens, convênio médico e colégio particular. São despesas que vão ser cortadas pela maioria das famílias em uma situação de restrição financeira", pontua o diretor do IPC Marketing, Marcos Pazzini.
De acordo com o levantamento, o potencial de consumo urbano em Bauru passou de R$ 8,2 bilhões para R$ 11,2 bilhões entre 2014 e 2019. Além dos setores citados acima, também registraram alta no potencial de consumo os segmentos de fumo (83,1%), eletrodomésticos (57,7%) e produtos de higiene e cuidados pessoais (56,7%). Os percentuais são nominais, ou seja, não descontam a variação do índice de inflação no período.
EDUCAÇÃO
Dentro do estudo, o principal destaque negativo ficou com a redução de gastos com educação - uma queda de 3% em cinco anos, que correspondeu ao único índice decrescente entre as 22 categorias analisadas. "São matrículas e mensalidades em escolas particulares, cursos livres, de idiomas ou especialização", detalha.
Também apresentaram desempenho ruim os gastos com materiais de construção (alta de apenas 4,6%), viagens (11,6%) e saúde, que abrange, especialmente, os convênios médicos (17,1%).
"Já o gasto com veículo próprio subiu 21,2%, enquanto as despesas com transporte urbano aumentaram 83,1%. Ou seja, mesmo que a pessoa tenha carro ou moto, ela está evitando gastar com a manutenção deles e optando pelo transporte público ou por transporte por aplicativos de celular. Este último, aliás, ajudou bastante a impulsionar este crescimento", observa.
Classificada como despesa essencial, a alimentação em domicílio refere-se principalmente a produtos adquiridos em supermercados para serem preparados em casa. Em valores absolutos, o potencial de consumo desta categoria saltou de R$ 730,7 milhões para 1,2 bilhão em cinco anos. Já os gastos com transporte urbano cresceram de R$ 195,6 milhões para R$ 358,3 bilhões e com medicamentos, de R$ 235,9 milhões para R$ 383,8 milhões.
| Vinicius Bomfim |
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| Maria do Carmo Benício ficou mais seletiva nas compras |
'NÃO SOBRA'
A mesa do consumidor é que sente os resultados dos índices. Na casa de Maria do Carmo Benício, de 65 anos, a compra no supermercado já não é mais a mesma.
"A gente aprende a escolher de outro jeito. Está tudo cada vez mais caro, até a parte de hortifrúti. A carne, às vezes, tem que ficar pra próxima", lamenta a técnica de enfermagem, que está fora do mercado de trabalho há oito anos.
Dispondo do salário do esposo, ela ainda conta com o auxílio da filha. "Preciso comprar os meus remédios e os do meu marido. Eles também estão mais caros, mas a gente não pode ficar sem. Então, minha filha nos ajuda, porque o dinheiro não sobra", finaliza Maria do Carmo.
Fumo
Para Pazzini, o fato de a categoria "fumo" ter ficado entre os três maiores avanços em capacidade de consumo em Bauru deve-se à inclusão de despesas, não apenas com cigarro, mas também com cigarros eletrônicos e narguilés, produtos que ganharam espaço no mercado nos últimos anos. "Apesar de haver muito mais restrição em relação aos locais em que as pessoas podem fumar do que havia há dez anos, o que puxou este crescimento foram os cigarros eletrônicos e, principalmente, os narguilés, que viraram moda e são muito usados pelos jovens na noite. Além de serem produtos que possuem valor mais alto do que o cigarro comum", completa.
Consumidor de narguilés desde 2011, Willian Henrique dos Santos Sanchez, de 26 anos, confirma que nos últimos anos vem investindo mais no que vê como um hobby. "Gosto de fumar nos churrascos com os amigos. Já conhecia o narguilé há um tempo, mas foi quando fiz 18 anos que comprei o primeiro, por R$ 50,00. Hoje, tenho um narguilé pequeno e dois um pouco maiores, sendo que o último é melhor e mais sofisticado", afirma.
Neste último, Willian pagou R$ 1.200,00, isso porque ainda não se trata de um dos mais caros. "Tem de diversos preços, mas pode chegar até R$ 2.000,00 um de qualidade. Isso sem contar com o carvão e a essência", relata. Segundo ele, por mês, cerca de R$ 50,00 vão para um pote de um quilo de sua essência favorita e, pelo menos, mais R$ 15,00 para os carvões de coco - próprios para o fumo de narguilé.

