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Pela irmã, até bilhete em túmulo

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Após ter um mau pressentimento, a ligação chegou com a confirmação: a mãe de Juliano Luis Freneda tinha sido internada. Foram apenas dois dias para que ela não resistisse a um enfisema pulmonar e morresse, aos 56 anos. Isso aconteceu em 2001 e poderia ser apenas mais um capítulo triste na vida de um filho que acabara de perder a mãe, sem ter conhecido o pai. Mas antes de partir, Aparecida Freneda fez uma revelação: Juliano tinha uma irmã. Desde então, ele vem procurando por ela. Até deixou um bilhete no túmulo da mãe, na esperança de um encontro, pois soube da busca dela pela mãe biológica.

"Parece que minha mãe esperou me contar para morrer, em seguida, sem que eu pudesse questionar alguma coisa a respeito. Eu tinha 18 anos, na época. Fiquei em choque, tive que ser atendido. Era uma notícia dessas e, ao mesmo tempo, ela partindo. Isso me marcou demais", afirma Juliano, hoje, com 36 anos.

Depois dessa descoberta, ele se calou. Esperou o velório, enterro e só depois de refletir, criou forças para mexer com o assunto do passado. "Conversei com minhas tias que moravam comigo e com a minha mãe e elas me contaram toda a história", comenta.

SEPARAÇÃO

Segundo Juliano, Aparecida ficou grávida em 1979 e tentou esconder a gestação o máximo que pôde. Quando não havia mais o que fazer para manter o segredo, ela contou à mãe e às irmãs, que a internaram no Hospital Paiva para ter o bebê. "Minha irmã nasceu dia 10 de novembro de 1979, conforme minha tia conta. Ela foi dada para adoção, porque o meu avô era extremamente rígido e não aceitaria a criança, já que minha mãe não era casada", afirma Juliano.

Ele destaca que Aparecida foi totalmente contra a decisão. "Minha mãe acabou desenvolvendo esquizofrenia depois que tiraram a filha dela. Até os 6 anos, lembro dela bastante consciente, mas depois, ela foi virando uma criança", conta. "Minha tia diz que todos os anos, na data do aniversário da bebê, minha mãe falava 'hoje é aniversário da minha filha'", relembra.

NOVA GESTAÇÃO

Quatro anos depois, uma nova gestação. Dessa vez, era Juliano que Aparecida esperava. "Meu avô resistiu à gravidez, mas ela estava determinada a ficar com a criança a todo custo", comenta Juliano.

Ele nasceu, cresceu e foi criado na casa dos avós, na Vila Independência, junto da mãe, avós, tios e tias, que ao longo dos anos foram falecendo. "Depois que perdi minha mãe, ainda continuei morando nessa casa, cuidando de alguns tios de idade avançada. Em 2006, resolvi morar sozinho, em outro bairro de Bauru, e só retornei para casa dos meus tios em 2014, onde moro até hoje com um deles", afirma.

PROCURA

Foi em 2014, que uma tia do rapaz deu início a um novo capítulo na história da saga de Juliano atrás de sua irmã. "Ao longo dos anos, eu não tinha informações para buscá-la. Mas nunca me conformei com isso e sempre quis encontrá-la. Certo dia, uma tia veio me visitar, viu que eu estava muito mal a respeito disso. Ao sair de casa, ela comentou com uma vizinha sobre meu estado e a mulher resolveu contar que, em 2012, um rapaz teria conversado com ela, dizendo que a esposa dele estava em depressão à procura de sua mãe, Aparecida Freneda", conta.

A mulher, que morava há pouco tempo no bairro e não sabia da história, somente respondeu que Aparecida havia falecido há muitos anos e tinha um filho, que não morava mais na casa vizinha. "O meu cunhado ainda disse que eles viviam no Alto Paraíso, aqui em Bauru, e que ele a levaria no Cemitério São Benedito, onde minha mãe foi sepultada", diz. 

 

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