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O Bom Prato além da refeição

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Samantha Ciuffa

Edivaldo: “Aqui, no Bom Prato, eu não me sinto invisível”
O aposentado José Sabino Filho gosta da comida e da conversa

O único lugar onde o morador de rua Edivaldo Fraga de Oliveira, de 37 anos, diz não se sentir invisível é o Bom Prato, em Bauru. Lá, ele come na mesma mesa que trabalhadores do comércio central e aposentados, por exemplo. Idealizado pelo governo estadual, o restaurante popular também encaminha os clientes aos mais de 20 serviços socioassistenciais prestados pelo seu gestor, o Programa de Integração e Assistência à Criança e ao Adolescente (Aelesab).

Diretora administrativa da Aelesab, Daniele Camargo explica que o Bom Prato, em Bauru, serve 300 cafés da manhã e 1,3 mil almoços, de segunda a sexta-feira. Porém, a segurança alimentar não é o único benefício do restaurante popular.

Gerido pela entidade desde a sua inauguração, em 13 de novembro de 2013, o estabelecimento também disponibiliza todos os serviços prestados pela Aelesab, como as vagas de emprego, os centros de convivência para crianças, adolescentes e idosos, os abrigos, as residências inclusivas, entre outras.

O Bom Prato recebe, ainda, campanhas em datas comemorativas, como a de não-violência contra a mulher, no seu Dia Internacional. "Nós administramos o Bom Prato de Bauru, Barretos e Araçatuba. Em todos eles, temos o diferencial de irmos além de uma refeição", complementa.

Por outro lado, Daniele reconhece que, na hora do almoço, bastante gente fica de fora. "Já enviamos um ofício ao governo estadual, para o qual solicitamos a ampliação de 1,3 mil para 1,5 mil almoços diários", reforça.

Para se ter ideia, o restaurante abre às 10h30. As refeições chegam ao fim antes das 12h30. Quando restam apenas 50 delas, o pessoal da fila é avisado e muitos saem sem comer.

O público, segundo a diretora da Aelesab, é formado, majoritariamente, por idosos. "Além de um almoço balanceado, eles buscam companhia", acrescenta.

De bem com a vida, o guarda municipal aposentado José Sabino Filho, de 69, gosta da comida, mas prefere uma boa conversa. Há dois anos, ele frequenta o estabelecimento. "Eu sou sozinho e fiz muitas amizades, inclusive, com os funcionários", revela.

OUTRA DEMANDA

Além de idosos, o Bom Prato também acolhe moradores de rua. De um ano para cá, a demanda aumentou, principalmente, devido à crise econômica. 

Diariamente, o Edivaldo Fraga, do começo desta reportagem, almoça no restaurante popular. Sempre acompanhado da namorada, Rosimeire Silva dos Santos, de 40 anos, ele diz ser muito bem tratado. "Não teria esta refeição em outro lugar".

A nutricionista Aray Redi, de 30, também só teve a ganhar com o Bom Prato, afinal, este foi o seu primeiro emprego depois de formada. "Elaboramos um cardápio para atingir 1,2 mil calorias por refeição, quantidade diária ideal", observa.

Já o cozinheiro Benedito de Pádua Machado, de 41 anos, coloca em prática tudo o que a nutricionista idealiza. A cada dia, ele cozinha 90 quilos de arroz, 38 quilos de feijão e 130 quilos de carne. "Eu me sinto grato em desempenhar tal papel, porque ajudo aqueles não têm o que comer", conclui.

SERVIÇO

O Bom Prato fica na rua Primeiro de Agosto, 8-47, Centro de Bauru. O local funciona de segunda a sexta-feira. No valor de R$ 0,50, o café da manhã é servido entre 7h e 9h. O almoço começa a partir das 10h30 e custa R$ 1,00.

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