As passagens subterrâneas, as cercas e o videomonitoramento são as principais medidas aplicadas para mitigar o atropelamento de animais nas rodovias bauruenses. A experiência local chamou a atenção do jornalista Ben Goldfarb, que já escreveu vários artigos para a National Geographic e, em 2022, deverá lançar um livro sobre o assunto.
Há alguns dias, o profissional esteve em Bauru e conversou com a engenheira ambiental da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), Thais Pagotto. Ele aproveitou para visitar uma das passagens subterrâneas construídas pela empresa, cujo corredor é formado por 834 quilômetros, entre a cidade e Presidente Epitácio (SP-225, SP-327 e SP-270).
Mestre pela Universidade Yale, nos EUA, Ben chegou a publicar um livro sobre conservação ambiental. Agora, decidiu se aprofundar em ecologia das estradas ao redor do mundo. Para tanto, quer visitar outras nações, além do Brasil.
PELO PAÍS
No País, ele conheceu o Projeto Bandeiras & Rodovias, no Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, viu diversas ações, como a primeira passagem superior brasileira, na rodovia dos Tamoios.
Ainda em território paulista, o jornalista visitou as passagens superiores de fauna (para macacos), no Parque Estadual da Cantareira; a primeira estrada-parque, no Parque Estadual Carlos Botelho; além das iniciativas para mitigar o atropelamentos de animais, desenvolvidas pela Cart.
Em seguida, Ben planeja viajar para a Holanda, a Austrália e, talvez, a Costa Rica. O Brasil, portanto, foi o primeiro País a receber o norte-americano, devido à sua biodiversidade e ao fato de ainda estar na fase de construção de rodovias, principalmente, nas regiões da Amazônia e do Centro-Oeste.
CHAMOU A ATENÇÃO
A iniciativa que mais chamou a atenção do escritor diz respeito à estrada-parque do Parque Estadual Carlos Botelho, que trabalha variados conceitos ambientais, como a velocidade máxima (varia entre 20 e 40 quilômetros por hora), o piso drenante, o design (feito para a rodovia ser lenta) e o horário de funcionamento (fecha das 20h às 6h, porque muitos animais têm hábitos noturnos).
"Eu gostaria de ver estes tipos de projetos dentro das unidades de conservação dos EUA", complementa Ben.