"Se eu não tivesse o apoio da minha família, certamente, não teria conseguido". O desabafo da professora Paola Leutwiler Oliveira Moraes sobre o desafio de conseguir amamentar o filho Gael é uma realidade de grande parte das mulheres que se tornam mães. Segundo estimativa do Banco de Leite Humano de Bauru, da Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 70% delas não conseguem continuar amamentando o bebê quando precisam retornar ao trabalho.
A falta de retaguarda da família, do empregador e da comunidade como um todo é apontado como o principal motivo que leva à interrupção. Por esta razão, a Semana Mundial de Amamentação, comemorada entre os dias 1 e 7 de agosto, terá como tema, neste ano, "Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação: hoje e para o futuro!" (leia mais abaixo).
Coordenadora do Banco de Leite Humano, a nutricionista Maria Nereida Panichi explica que o percentual de mães que decidem, desde o início, não amamentar é pequeno. Uma boa parcela, no entanto, acaba desistindo nos primeiros dias, diante das dificuldades que são próprias do processo de amamentação.
"Antes de tudo, é preciso superar a visão romântica do aleitamento, de que tudo vai ser tranquilo desde o começo. Na maioria dos casos, o caminho é árduo, principalmente entre as mulheres que deixaram para ter filho mais tarde e são mais ansiosas. Este componente psicológico interfere muito", diz.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é para que o bebê se alimente exclusivamente de leite materno até os seis meses de idade e, já com a ingestão de outros alimentos, ao menos até os dois anos. Porém, em meio à ansiedade, preocupação, insegurança, dores e fissuras na mama, a produção de leite pode minguar, tornando dramático o processo para muitas mães.
AJUDA ESPECIALIZADA
A recomendação é procurar ajuda especializada, como a oferecida no próprio Banco de Leite. "As redes sociais têm nos preocupado. Embora seja um local em que as mães podem trocar experiências, é também um ambiente propício para as pessoas ficarem dando palpites, com orientações erradas que podem comprometer, e muito, este momento", acrescenta Maria Nereida, detalhando que toda mulher com mamas saudáveis e que não tenha disfunções hormonais ou infecções, como o vírus HIV, tem plena capacidade para conseguir amamentar.
Superado esta primeiro momento, a garantia do direto à licença-maternidade e a rede de apoio formada pela família também são cruciais para que a mulher possa continuar alimentando o filho com leite materno dentro dos prazos recomendados. Paola Moraes, 36 anos, deu à luz a Gael, seu primeiro filho, há um ano e dois meses e somente com orientação adequada e a retaguarda da família ela consegue, até hoje, amamentá-lo.
"Tive dificuldade nos primeiros dias, que foram de muito incômodo e insegurança. Depois, descobri que tinha leite suficiente para amamentar até duas crianças. Além de contar com ajuda profissional, minha família me apoiou muito. Meu marido e minha tia, que é madrinha do Gael, o levaram várias vezes na escola em que dou aula. Sem eles, teria sido impossível", completa.