Tribuna do Leitor

Ressurreição!

Sônyah Moreira
| Tempo de leitura: 3 min

Latim: Resurrectio. Em grego: Anastasis. "Voltar à vida"

Quando falamos em ressurreição, imediatamente nos vem à mente a de Cristo, sendo este fato considerado por muitos como a base do Cristianismo.

Com o devido respeito, me atrevo a escrever sobre um assunto tão polêmico e, ao mesmo tempo, apaixonante, independentemente de professar ou não esta crença. Vamos nos ater ao episódio ressurreição apenas por um olhar histórico. Deixemos de lado as crenças e religiões, que na maioria das vezes usam doutrinas para beneficio próprio e manipulação das pessoas em momentos de fragilidade e carência. Dizer que a ressurreição do Cristo por si só não teria tamanho poder de persuasão, talvez! Há 2 mil e poucos anos, quando imperava a intolerância, dentre outras coisas, um único fato não pode ser considerado o estopim de um movimento, quiça, revolucionário para época. Com todos os mistérios que envolvem este fato, podemos concluir alguns. Os seguidores de Jesus não iriam cometer o sacrilégio de sumir com os restos mortais do Cristo. Se, por respeito ao mestre, ou às leis da época, em que tocar em cadáveres era uma coisa considerada impura, principalmente no Shabat, vale lembrar que eram judeus.

Por outro lado, o governo romano não queria a expansão do movimento e, pelo simples fato de não acreditarem nos boatos, não roubariam o corpo. Penso mesmo que não se dariam a este trabalho. Por alguns escritos encontrados, nem os próprios discípulos estivessem totalmente convencidos da possível divindade do Cristo. Ressurreição! Talvez a dor mais sentida por aqueles que o seguiram, que conviveram breves momentos com um homem de ideias revolucionárias demais para época, seja mesmo o fato de não haver um único osso para ser venerado. Nada restou! Somente textos fragmentados escritos anos após sua partida.

A busca pela verdade levou a apropriação por vezes indevida dos fatos históricos, os abusos cometidos em nome de um homem que viveu breves 33 anos são abomináveis. Se a vinda de um ser divino em carne e osso foi apenas uma experiência do criador, esta poderá ter sido a maior decepção com a humanidade. Há dois mil e dezenove anos, a pergunta que ainda persiste: Valeu a pena? O objetivo foi alcançado? A humanidade conseguirá, ao menos que parcialmente, seguir os ensinamentos humanitários deixados por este homem?

Cristo, que seja divino, humano, revolucionário, um homem à frente de seu tempo. Será que foi apenas uma bela história de ficção, muito bem contada? Será?

Dizem que a mentira é uma senhora com pernas bem curtas, que costuma tropeçar e cair rapidamente. Será que uma mentira duraria 2019 anos? Com todo respeito aos que acreditam, e também àqueles que não acreditam, que sejam, ateus, agnósticos etc.

A pesquisa pode nos levar a crer convictamente, duvidar ou, simplesmente, acender a chama da fé fundamentada e sem fanatismo, fazendo com que sejamos mais tolerantes com as diferenças, talvez, nos fazendo enxergar a nossa pequeneza diante da imensidão do universo e seus mistérios.

Ressurreição! Levantar, erguer, viver ou, quem sabe, renascer. Persistir na busca incessante de nossa verdadeira origem.

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