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'Reforma poderia ser diferente'

RAFAEL DE PAULA
| Tempo de leitura: 2 min

Presidente do INSS de janeiro de 2015 até a metade de 2016, Elisete Berchiol é crítica em relação à reforma da Previdência. Segundo ela, se houvesse esforço do governo em cobrar devedores da instituição, além de mais geração de empregos, o impacto para os trabalhadores seria muito menor.

Funcionária federal aposentada, ela cumpre agenda como palestrante em eventos que têm como pauta os desafios da Previdência pública no País. Inclusive, Berchiol integrou uma mesa-redonda em Bauru em evento promovido nesta semana pela Comissão de Direito Sindical da OAB local. Ela recebeu o JC na sede da entidade. Confira:

JC: A senhora fala em desmonte do INSS, certo?

Elisete Berchiol: Essa proposta apresentada pelo governo é um desmanche no sistema de proteção social. Quando se desmonta isso, o governo dificulta tanto o acesso dos trabalhadores aos benefícios quanto aos valores que vão receber. É uma barbaridade! É como se disséssemos para o trabalhador: "olha, você vai pagar e trabalhar mais, mas vai receber um valor menor". Não há benefícios.

JC: Ainda em discussão, a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens é a melhor realidade para o País?

Elisete: Em 2015, conseguimos aprovar a aposentadoria com o fator 85/95. Esse modelo é justo porque soma o tempo de contribuição com a idade da pessoa. O brasileiro que começou a trabalhar mais cedo terá a possibilidade de ter isso reconhecido. Isso é o contrário do que vai acontecer com essa mudança, que coloca tempo e idade mínimos de contribuição.

JC: Com a proposta de reforma, algumas aposentadorias especiais foram afetadas. Elas devem existir? Isso não gera mais desigualdade?

Elisete: Hoje ainda não. Aposentadorias especiais são formas de reconhecimento para algumas profissões. Professores do ensino básico e policiais, por exemplo, devem ter um reconhecimento específico. Precisamos desses ajustes para reconhecer que ainda precisamos avançar muito em condições de trabalho.

JC: O governo fala em R$ 491 bilhões em dívidas na Previdência. Isso é quase metade do que ele quer economizar em 10 anos. São esses números mesmo? Se houvesse a cobrança, a reforma seria diferente?

Elisete: Se houvesse a cobrança e geração de empregos, o cenário da Previdência e da reforma seriam bem diferentes. Havendo esses dois esforços, não falaríamos em problemas de caixa na Previdência e nem em impactos da reforma. Agora, não consigo confirmar esses valores porque temos dificuldades em acessar números.

JC: E por que o governo não cobra esses devedores?

Elisete: Porque falta vontade política para cobrar. Quem controla o poder político é o poder econômico e isso não interesse ao grupo. Isso envolve grandes empresas nacionais, multinacionais e até jogadores de futebol.

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