Internacional

Eleições: Argentina sofre com 'fake'

Sylvia Colombo
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Como em outras eleições recentes pelo mundo, as redes sociais têm sido muito usadas nas campanhas dos principais candidatos à Presidência na Argentina. Enquanto propagandas via WhatsApp são mais utilizadas pela equipe de Mauricio Macri, que disputa a reeleição, redes sociais como Facebook, Instagram e YouTube são os meios favoritos dos kirchneristas Alberto Fernández e e a vice Cristina Kirchner. Neste domingo (11), ocorrem as primárias obrigatórias. Como não há disputas internas nos partidos, o pleito servirá para medir como o eleitorado pretende votar no primeiro turno, em 27 de outubro.

Quem assistiu ao documentário "Privacidade Hackeada" (Netflix) deve se lembrar que a Argentina é citada como um dos países que teria contratado os serviços da Cambridge Analytica, consultoria que acessou ilegalmente dados de milhões de cidadãos para serem usados nas campanhas de Donald Trump e do brexit.

O governo argentino afirma que Macri e sua equipe nunca contrataram serviços da Cambridge Analytica. A equipe do atual presidente tem 350 mil colaboradores, os Defensores del Cambio (defensores da mudança), que trabalham na produção de mensagens para grupos de WhatsApp de empresas, esportistas e acadêmicos.

Por dia, os Defensores del Cambio mandam cerca de 30 mensagens com a voz do presidente dirigidas a um público segmentado.

Do lado kirchnerista, a campanha oficial é mais modesta, e membros do partido têm divulgado notícias falsas, que se espalham rapidamente. O ex-chefe de governo de Cristina, Aníbal Fernández - não confundir com o candidato, Alberto Fernández -, por exemplo, difundiu um vídeo em que Macri aparecia ao lado do chanceler Jorge Faurie cumprimentando soldados.

O presidente então teria escutado uma ofensa de um oficial. Mentira. Mesmo assim, o vídeo teve mais de 37 mil republicações no Twitter.

Para combater a divulgação de notícias falsas, o site Chequeado (verificado) lançou um programa chamado Reverso. Trata-se de um serviço voltado para as eleições. "É muito difícil ganhar a luta contra as notícias falsas, porque a mentira tende a se espalhar mais fácil e rapidamente do que a verdade", diz a fundadora do site, Laura Zommer.

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