Cultura

Distância vivida em clipe e emoção

JCNET
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A Costume Blue lança nesta sexta-feira (16) o clipe da canção "Ausência". Composta pelo baterista Cristiano Araújo e por Marcelo Bulhões (vocal e violões), a música dá título ao segundo álbum da banda, de 2019, e ganhou vídeo com direção do diretor peruano, radicado em Paris, Rubén Romero. É, aliás, o terceiro dele para a Costume. 

De acordo com o grupo, o clipe encerra a "Trilogia da Errância". Se, no primeiro, do rock "Febre", um sujeito "erra" pela boemia da grande cidade e, no segundo, do foxtrote "Aqui, Não Lá", uma criança faz um trânsito lúdico entre Rio de Janeiro, São Paulo e Paris, a sequência se encerra com tonalidade de tristeza e desolação.

Como diz Romero, "buscamos mesmo imprimir melancolia no clipe, em afinidade com a tristeza da canção. Mas sem provocar redundância com a letra". De fato, se a letra diz "A bruma vem pra corroer a casa / o copo em vidro sedimenta a falta / dissolve bem e liquefaz o mar", nenhum plano traz imagens que "ilustrem" os versos.

Ao mesmo tempo, como em toda a "Trilogia da Errância", o clipe evita construção narrativa em esquema convencional. Como dizem os integrantes da Costume Blue, "nos três era importante que não houvesse uma historinha com começo, meio e fim, tão comum em clipes de mainstream". Mas isso não impede a identificação de uma ou outra inflexão cinematográfica.

Que o espectador-cinéfilo identifique, por exemplo, a semelhança entre a caminhada solitária da moça pela noite de São Paulo, no início do clipe, com o caminha desolado de Jeanne Moreau pela noite de Paris em "Ascensor para o Cadafalso" (Ascenseur pour L'échafaud), filme de Louis Malle e exemplo célebre de parceria entre jazz e cinema, com trilha "errante" de Miles Davis. Solidão e distância no ambiente moderno são dois pontos fortes em comum. 

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