Tenho por hábito, ao final da tarde e início da noite, me aconchegar na bifurcação entre as avenidas Castelo Branco e Henrique Ferraz, bem diante de um mercado ali existente.
Assim, enquanto tomo uma cerveja e "embromo" o tempo para retornar ao casulo de minha insignificância, aproveito para observar a natureza do ser humano. No mais dos dias, volto ao meu casulo decepcionado, triste e, às vezes, extremamente irritado com a pequenez que apreendo.
Porém (ainda bem que existes), alguns atos das pessoas passantes trazem um alento, uma brisa, um frescor de humanidade que me traz uma renovação na crença de que o "tal" de ser humano é, realmente, Humano - não apenas um ser extremamente egocêntrico (egoísta).
Explico minha fé ainda existente no ser humano. É que embromando o tempo lá na esquina, totalmente distraído, fui "desperto" por um som de uma batida entre veículos ou um atropelamento, levantei e, olhando na direção de onde vinha o som, não vi nada ocorrido, apenas observei uma pessoa descendo pela calçada da Castelo normalmente, sem aparentar sofrer qualquer mácula originária de um acidente.
Voltei a me sentar e tomar a "breja" e, ato contínuo, vejo um carro virar a esquina, estacionar rapidamente e duas pessoas, uma mulher e um senhor (era mais velho que ela), extremamente preocupados, porque um pedestre havia passado na frente do carro e, apesar da "brecada", haviam colhido o mesmo. Outros teriam fugido. Outros teriam se preocupado com o dano material no "meu carrão". Aqueles dois Seres Humanos (com maiúscula sim) devem ser seguidos em todos nossos atos diários.
Eis a razão de minha fé no humano.