O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo, a ponto de uma única pessoa doente ser capaz de transmitir o vírus para 18 pessoas, em média. O contágio ocorre por inalação de gotículas que saem da boca ou do nariz, que se dispersam em minutos, e aerossóis menores, que podem permanecer suspensos no ar por várias horas. A doença também pode ser transmitida pelo contato direto com secreções.
Em razão do alto risco de evolução para surto da doença, ações têm sido adotadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) com o objetivo de criar uma espécie de "cinturão" de proteção nos locais em que os moradores de Bauru com suspeita de sarampo permanecem. Até o momento, 80 pessoas apresentaram sintomas da doença, com diagnóstico ainda a ser confirmado oficialmente.
Leia também - Doenças erradicadas voltam a ameaçar
A partir da detecção dos casos suspeitos neste ano, 2.821 pessoas receberam a dose da vacina nas chamadas ações de bloqueio, que ocorrem tanto na região de moradia dos doentes, como em empresas e escolas que eles frequentam. "Mesmo estando com a carteira de vacinação em dia, estas pessoas recebem uma dose extra. As equipes vão até os locais, com apoio dos cursos de enfermagem e medicina de Bauru", detalha o diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica da SMS, Ezequiel Santos.
Segundo a pasta, até o momento, as regiões com maior número de casos suspeitos são o Jardim Godoy (onde seis pessoas de uma mesma família foram infectadas), a Vila Ipiranga e o Jardim Bela Vista, que somam, juntos, 31 casos. Nenhum dos 80 registros teve histórico de deslocamento recente para outras regiões do Estado ou País, o que sinaliza para a circulação do vírus dentro da própria cidade.
FORMA LEVE
Pessoas jovens são as mais atingidas. Na faixa etária de 20 a 34 anos, são 38 pessoas com suspeita da doença. Já na faixa entre 15 e 19 anos, são outros 17 casos.
Segundo Santos, a manifestação da doença em Bauru tem sido branda, provavelmente em razão de a maioria das pessoas ter recebido ao menos a primeira dose da vacina. "Se estas pessoas não tivessem sido vacinadas, provavelmente estaríamos com um grande número de óbitos em todo o Estado de São Paulo", assinala.
O território paulista, aliás, concentra a esmagadora maioria de casos de sarampo no Brasil. Até o momento, já houve a confirmação de 1.319 pessoas infectadas no Estado, sem registro de óbitos e com baixo índice de internações. "Em Bauru, não houve nenhum caso de internação. As pessoas ficam em casa, em repouso, até o período de transmissão terminar", acrescenta o diretor.
Nos casos graves, pessoas infectadas pelo vírus do sarampo, sejam crianças ou adultos, podem contrair doenças graves como meningite e pneumonia, com quadro que pode levar à morte.