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Creche para 180 crianças atrasa

RAFAEL DE PAULA
| Tempo de leitura: 2 min

Crianças sem creche. Esse é o dilema que algumas famílias da Zona Leste de Bauru enfrentam. Uma unidade que já deveria ter sido entregue para desafogar a demanda está atrasada. A construção, que fica na quadra 5 da rua Antônio Dezembro, entre os bairros Ferradura Mirim, Jardim Tangarás e Parque Bauru, começou em julho de 2018 e tinha como data limite o dia 5 do mês passado. Cerca de 180 crianças seriam beneficiadas, porém, o cronograma atrasou e, além disso, custará R$ 218 mil a mais do que o previsto.

Inicialmente, o valor do contrato assinado entre o Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), prefeitura e a empreiteira Ecco Natura Construções era de aproximadamente R$ 2,247 milhões.

Valores bem distantes da vida da operadora de máquina Dulcinéia Pereira Silva, e do filho Daniel, de 11 meses. Sem vaga nas creches da cidade, ela tem que desembolsar mensalmente cerca de R$ 500,00 para que o menino frequente uma unidade particular, na região central.

"Se estivesse funcionando, seria uma realidade muito diferente, porque seria mais próximo de casa e eu economizaria muito. O dinheiro que a gente gasta na creche poderia ser gasto com meu filho. No final do mês, faz falta", lamenta a mãe. Segundo ela, o atendimento das creches municipais tem qualidade, porém, o atraso da obra é um desrespeito com as pessoas.

MUDANÇAS

Em nota, a prefeitura informou que o atraso na unidade ocorreu por uma adequação no projeto básico aprovado pelo governo federal. A obra precisou atender, por exemplo, às determinações do Corpo de Bombeiros e do Código Sanitário, além de alterações que foram feitas no projeto do ar-condicionado.

Para explicar os ajustes depois da licitação, a prefeitura informou que iniciou a obra para não correr o risco de perder o convênio e que qualquer mudança no projeto das unidades escolares só pode ser feita com autorização do FNDE. Isso explicaria o novo valor da obra: cerca de R$ 2,465 milhões. A previsão de conclusão da creche, agora, é no mês de dezembro, finaliza a nota.

Procurada, a empresa Ecco Natura, que tem sede em Avaré, confirmou que alguns itens necessários na obra não constavam no projeto inicial. "O atraso foi por essa divergência. A prefeitura levou um tempo para analisar esse aditivo e concluiu, recentemente, a necessidade do reajuste. Por isso, não poderíamos fazer o trabalho sem a formalização", explicou Tatiana Capecci, diretora da empresa. O sistema de escoamento e o revestimento estão em andamento.

SOB ANÁLISE

Procurado pela reportagem, o FNDE informou que a gestão das obras é atribuição do governo municipal e que cabe ao fundo a liberação gradual dos recursos à prefeitura mediante comprovação da evolução física da obra. O fundo disse também que já liberou cerca de R$ 382 mil e que a obra apresenta restrições para repasse de novas parcelas. Entretanto, segundo FNDE, a prefeitura apresentou justificativas para o bloqueio e fez novo pedido de desembolso financeiro, que será analisado pela equipe técnica do órgão.

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