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Solidão na 3ª Idade favorece golpes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Após uma vida inteira dedicada ao trabalho, os aposentados passam a usufruir do merecido descanso. Porém, o que deveria ser um período de tranquilidade tem se transformado, também, em uma grande preocupação: de maneira frequente, os idosos têm sido alvos de golpistas em Bauru.

Alguns chegam a perder milhares de reais e nunca mais conseguem reaver a quantia. Somente neste ano, a Polícia Civil estima que ao menos 30 pessoas que já alcançaram a chamada Terceira Idade tenham sido vítimas de estelionatários na cidade, com perda efetiva de dinheiro.

A receptividade de idosos para conversar com estranhos e a solidão, já que muitos - com maior autonomia - vivem sem a companhia de outros familiares, são apontados como alguns dos principais motivos que tornam os aposentados vítimas mais vulneráveis e, portanto, preferenciais dos criminosos.

"Hoje, há muitos idosos morando sozinhos. A carência por se relacionar com pessoas faz com que, normalmente, eles estejam mais receptivos à abordagem de estelionatários, que são treinados para tirar proveito desta fragilidade", comenta o médico geriatra Júlio Horta Filho. Ele revela já ter recebido inúmeros pacientes no consultório que relataram ter sido vítimas de golpistas.

Coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Bauru, o delegado Rogério Dantas conta que, entre os golpes mais comuns, está o do empréstimo consignado, feito pelos fraudadores em bancos, normalmente em cidades diferentes do local de moradia do aposentado. Utilizando os dados da vítima, os criminosos solicitam o empréstimo, mas indicam o depósito do crédito em outra conta corrente.

"Normalmente, os valores das parcelas, descontados da aposentadoria, são pequenos: R$ 60,00, R$ 70,00. O aposentado pode demorar em perceber", frisa. Neste caso, vale destacar que o idoso tem direito a ser ressarcido pela instituição bancária.

TECNOLOGIA

O público da Terceira Idade também é alvo preferencial em caixas de autoatendimento bancário, justamente porque é mais suscetível a precisar de ajuda, por ter pouca ou nenhuma intimidade com os recursos oferecidos pelas novas tecnologias. Outro tipo frequente de golpe é quando os criminosos, em posse de dados da vítima, ligam e se passam por funcionários de um banco ou instituições como o INSS, solicitando a atualização cadastral.

"Eles podem informar que houve um problema qualquer e pedem a confirmação de informações, incluindo a senha do cartão", comenta o delegado. Contudo, bancos ou o INSS, em nenhuma hipótese, fazem este tipo de contato.

Segundo Dantas, outro tipo de golpe bastante comum, que vitima um grande número de idosos, é o do bilhete premiado. "Já houve casos em que um aposentado perdeu mais de R$ 10 mil. Por mais conhecida que a prática criminosa seja, muita gente continua sendo ludibriada por estelionatários", completa.

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