Turismo

200 anos do Museu do Prado

Bruna Toni
| Tempo de leitura: 2 min

"Queridas Ana e Sofonisba, escrevo desde o futuro, do século 21, para ser exata. Vocês gostariam de saber que lembramos de vocês. De ti, Ana, porque foi mulher, mãe e esposa de reis. De ti, Sofonisba, porque era uma das poucas mulheres que aparecem nos livros de história da arte - vestida, digo. E isso apesar de a maioria de seus quadros ter sido erroneamente atribuídos a homens."

Ao lado do quadro Retrato da Rainha Ana de Áustria, pintado pela artista renascentista Sofonisba Anguissola em 1573, li o trecho da carta aberta. Escrita por uma visitante, como eu e você, o texto faz parte de uma das ações mais interessantes que o Museu do Prado criou para celebrar seus 200 anos, a serem completados no próximo 19 de novembro.

Além de legendas pensadas pelo público, exposições especiais com seu acervo têm sido montadas desde o ano passado para recordar sua história e de suas principais obras e artistas - na lista dos famosos estão Velázquez, Ticiano, El Bosco, Rubens, Caravaggio, El Greco, Rembrandt, entre outros.

A festa deste aniversário, contudo, não é só do Prado. Afinal, a cada esquina de Madri, um grafite, uma casa de escritor, um teatro ou um tablado de flamenco deve algo a seu mais antigo museu.

Por outro lado, como organismo vivo, capaz de contrapor olhares do passado e do presente num mesmo espaço e tempo - o que diriam as mulheres dos 1500 sobre o feminismo de nossos tempos? - um museu não sobrevive sozinho e nem está imune às transformações que o cerca.

Em janeiro de 1989, quando o Prado completava 170 anos, este jornal publicava uma reportagem intitulada Mudam os ventos no museu do Prado. Nela, discutiam-se os novos desafios da mais importante instituição artística da Espanha. "Apesar de seu enorme acervo, só agora o museu começa a sair da letargia em que esteve mergulhado no período do generalíssimo Francisco Franco. A mudança não se faz sem dores."

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