As mulheres da delegação brasileira foram as premiadas neste sábado (31) nos Jogos de Lima, no Peru, por levar o Brasil ao recorde de medalhas e também ao número de ouros em Parapan-Americanos. Logo pela manhã, a nadadora Cecília Araújo venceu os 100m livre classe S8 e deixou o País com 258 pódios.
A marca dourada não demorou a sair. A responsável por garantir ao Brasil 110 vitórias na competição foi curiosamente a caçula da delegação, Mikaela Almeida, do badminton, de apenas 16 anos. A jogadora venceu os quatro jogos que disputou da classe SU5 e ficou com o ouro. A vitória que garantiu a medalha foi em cima da peruana Laura Puntriano por 2 sets a 0, com parciais de 21/3 e 21/4.
Até então o melhor desempenho do Brasil em Parapans foi em Toronto-2015 com 257 pódios, sendo 109 ouros, 74 pratas e 74 bronzes. O número de conquistas em Lima ainda deve aumentar, já que as competições terminam apenas neste domingo. Certo apenas é que esta já é a melhor campanha do País em um evento como este e que a hegemonia no quadro de medalhas está mantida.
Conforme esperado, a delegação brasileira sobrou em Lima e atualmente tem o dobro de medalhas do que os Estados Unidos, o segundo colocado. Vale lembrar que os estadunidenses em muitas modalidades preservam os principais atletas, pois têm como prioridades as competições mundiais e as Paralimpíadas.
PREMIADAS
Cecília, de 21 anos, é de Natal, no Rio Grande do Norte, e nasceu com paralisia cerebral. Em Lima, ela subiu ao pódio seis vezes. E la já havia faturado três ouros (400m livre, 100m borboleta e 50m livre, uma prata (4x100m medley) e um bronze (100m costas). Em Toronto-2015, sua estreia em Parapan, ela garantiu dois bronzes
"Felicidade imensa em saber disso. Estava presente em Toronto também e foi uma grande festa. Agora saber que com a minha medalha ultrapassou é muito legal. E vai vir mais por aí. Vamos para cima", disse.
Mikaela nasceu sem o braço direito e começou a praticar badminton com 13 anos nas aulas de educação física em Manaus, no Amazonas. Logo após a sua primeira conquista em Parapan, ela ainda estava um pouco atordoada.
"Para começo de tudo nunca me imaginei em um evento como esse, imagina então conquistar a medalha de ouro. Fico muito feliz. Quando eu vi que ganhei comecei a chorar. Fico muito feliz e emocionada por ter conquistado isso. Às vezes não tenho noção, parece um sonho. Conquistei o recorde e agradeço a muitas pessoas que me apoiaram", comentou a atleta.
Os números confirmam o prognóstico do Comitê Paralímpico Brasileiro, que projetou antes do início da competição faturar mais de 100 ouros. O Parapan termina neste domingo.