São Paulo - Em reunião realizada com representantes de aproximadamente 40 companhias europeias no Brasil, como Louis Vuitton, Mercedes, PNB Paribas e Nestlé, a Fiesp (Federação Nacional das Indústrias do Estado de São Paulo) tentou desconstruir a imagem ruim do Brasil sobre as queimadas que ocorrem na região amazônica.
Durante a reunião, o gerente de agronegócio da entidade, Antônio Carlos Costa, apresentou um estudo baseado em informações coletadas pelo IBGE, Embrapa e INPE sobre a floresta amazônica e sua vegetação.
Em sua fala, Costa disse que o Brasil reporta os dados de queimadas da Amazônia Legal, cuja área, segundo os dados apresentados, abrange não só a floresta tropical (e úmida), mas também ambientes de transição e parte do Cerrado -estas últimas com vegetações mais propensas a queimadas naturais.
"A Floresta Amazônica não é homogênea. Há incrustamento de cerrado dentro dela. É fundamental compreender essa informação", afirmou Costa.
PROTEÇÃO
Na apresentação, Costa também mostrou que 84% do bioma Amazônia estão recobertos por vegetação nativa. Além disso, ele disse que nos acordos internacionais sobre o clima, o Brasil está avançado nas principais metas.
No acordo de Copenhague, por exemplo, o país teria que reduzir as emissões de CO2 em 1,24 gigatoneladas até 2020. Segundo sua apresentação, com a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o país já mitigou as emissões em 2,28 gigatoneladas.
Já para o Acordo de Paris, a meta do Brasil em ter 28% em energia renovável (exceto hidrelétricas) já teria sido alcançada, uma vez que 32,7% de sua matriz hoje é composta por esse tipo de energia.
Segundo o presidente da entidade, Paulo Skaf, a proposta do encontro foi mostrar aos executivos que o que está acontecendo está dentro da normalidade, e que há uma seriedade no país no cuidado do meio ambiente.
Na avaliação do presidente do Grupo francês LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) para a América Latina, Davide Marcovitch, a reunião foi importante para esclarecer a situação do país.
"Fico abismado quando vejo muitas pessoas que nunca pisaram na Amazônia dando seu palpite. Conheço a realidade, e não é nada disso do que estão falando", disse.