A autonomia universitária é constitucional e a legislação estadual a regulou e estabeleceu os valores do ICMS para repasse orçamentário às instituições de responsabilidade do governo. Isso dá um pouco de proteção às universidades públicas do Estado de São Paulo.
O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, em artigo recente publicado em jornal da capital paulista deixou bem claro a necessidade de gestão universitária, talvez um pouco tardia, mas reafirma a característica pública e financiada pelo Estado da universidade de excelência. Foi muito leve e elegante nas críticas ao governo federal que promove o desmonte da estrutura de ciência, pesquisa, educação e inovação no país. A dúvida a uma das propostas do reitor é se o estímulo a instituições apenas de ensino (que não fariam pesquisa científica) não gerará uma classe desprestigiada de universitários, como acontece na Alemanha e em outros países.
O símbolo maior desse desmonte são os cortes nas bolsas que financiam pesquisadores - alunos de pós-graduação e de iniciação científica. Até Elio Gaspari descobriu em sua coluna na Folha de S. Paulo, ainda que tardiamente, os malefícios do governo que aí está.
No caso, ele se indignou com o fato de alunos que conquistaram medalhas em olimpíadas de matemática não mais terão bolsas de estudo. No âmbito federal e considerando o sistema completo de ciência e tecnologia - que ainda existe -, as bolsas do CNPq, da Capes e de qualquer outra agência de fomento não são complemento, mas sim a única renda permitida aos bolsistas. Ao contrário do informado pelo articulista, a comunidade científica está em ininterrupta mobilização contra os cortes, com repercussão internacional, mas a mídia brasileira (e não os cientistas) pouco noticia o fato.
Por fim, há os que alegam sofismaticamente que a marca da direita é defender o combate à corrupção e afirmam existir uma polarização assimétrica no embate entre o que seria direita e esquerda. É instigante o uso de uma terminologia química para aferir essa questão política. Polarização de ligações entre átomos leva quase sempre à assimetria, excetuando quando eles são idênticos. O importante nesse resultado energético é a busca do equilíbrio, que na ciência natural é sempre dinâmico; no ambiente político atual, porém, ambos estão ausentes: o equilíbrio e a ciência.