Nacional

Mortos no incêndio eram idosos

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio de Janeiro - As vítimas do incêndio de quinta-feira (12) no Hospital Badim eram idosas: tinham entre 66 e 96 anos.

Luzia Melo, 88, era maranhense e morava havia décadas em Cascadura, na zona norte do Rio. Estava internada desde quarta-feira (11) para tratar uma pneumonia. Seu sepultamento será neste sábado (14), no cemitério São Francisco Xavier, na Tijuca.

"Procurei tranquilizar minha mãe. Arrumei a maca e colocamos ela para ela sair. Eu só falava 'mãe, por favor, não tira essa máscara [de oxigênio]'. Disse 'mãe, não fala nada, deixa para falar depois'. E agora não vou mais poder falar com ela", conta Emanuel Melo, filho de Luzia.

Onze pessoas morreram no incêndio de grandes proporções que atingiu o hospital Badim, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira (12). As mortes foram confirmadas e os corpos foram identificados ao longo desta sexta (13).

As vítimas são: Maria Alice Teixeira da Costa, 75, Luzia dos Santos Melo, 88, Virgílio Claudino da Silva, 66, Ana Almeida do Nascimento, 95, Irene Freitas, 83, Berta Gonçalves Berreiro Sousa, 93, Marlene Menezes Fraga, 85, Darcy da Rocha Dias, 88, Alayde Henrique Barbieri, 96, José Costa Andrade, 79, e Ivone Cardoso Natarelli, 75.

A diretora de perícia do IML, Gabriela Graça, disse que a maioria das vítimas morreu por inalação de fumaça. Outras morreram em função do desligamento de aparelhos com a queda da energia.

RECLAMAÇÕES

O carioca afirma que houve negligência do hospital e truculência do Corpo de Bombeiros e que a morte poderia ter sido evitada. "Foi um assassinato. Só faleceram os que estavam no G1 e no primeiro andar, os idosos, que deveriam ser prioridade", afirma.

Virgílio Claudino da Silva, 66, morreu de embolia pulmonar devido à inalação de fumaça, segundo o irmão, Sebastião Claudino da Silva. Sebastião diz que o irmão estava internado no CTI do hospital havia 70 dias após ter sofrido um AVC.

O irmão disse que Virgílio estava sozinho no hospital. Ele deixa dois filhos, além dos netos. Nas redes sociais, familiares o descreveram como uma pessoa forte e lamentaram a perda. "Vai com Deus, tio, ficam somente as lembranças boas que você deixou, o carinho de sempre... Você lutou e lutou bastante, infelizmente aconteceu o inesperado", escreveu uma sobrinha.

O advogado Carlos Outerelo, filho de Berta Gonçalves, também relatou ter sentido cheiro de queimado após a primeira queda de luz na unidade de saúde, minutos antes de o fogo começar. Ele afirmou ainda que os bombeiros o impediram de salvar a mãe, endossando relatos de outras pessoas que perderam familiares, mas avalia que a decisão dos socorristas foi correta.

CRECHE VIRA QG

Uma creche nas proximidades da rua São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte do Rio, funciona das 6h40 às 19h. Da noite desta quinta-feira (12) até esta sexta, porém, o expediente não terminou. O incêndio transformou a creche em um hospital de campanha, nas palavras de seu dono. "Havia 50 pacientes e cerca de 400 pessoas aqui", diz Darci Martins, 40.

Com oito crianças ainda na creche, os donos avisaram os pais e receberam os mais de 50 pacientes, acompanhantes e agentes de saúde e segurança.

Comentários

Comentários