Brasília - O Banco Central cortou nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 5,50% ao ano, dando sequência ao ciclo de afrouxamento monetário em meio à débil recuperação econômica, num processo que deve seguir adiante, segundo sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom).
No comunicado, o BC deixou de considerar o cenário externo benigno, apontando que ele "segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem". Também excluiu menção ao risco ligado a eventual frustração no andamento de reformas como preponderante.
Tudo considerado, o Copom do BC indicou que um novo corte da Selic deve ser feito à frente, ao manter em sua comunicação trecho em que assinala que "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo".
No documento, o BC diminuiu a projeção de inflação para 2019 pelo cenário de mercado a 3,3%, sobre 3,6% em sua última projeção, feita em julho. Para 2020, a estimativa recuou a 3,6%, contra 3,9% anteriormente.
Esta foi a segunda redução seguida da Selic, levando a taxa à nova mínima histórica. Em pesquisa Reuters com 30 economistas, 28 previam um corte nessa magnitude, enquanto um apostava em manutenção e outro em redução mais tímida, de 0,25 ponto.
EUA: 2%
Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira um amplamente esperado corte na taxa de juros, que visa sustentar uma expansão econômica recorde, mas deu poucas sugestões sobre se ou quando poderá reduzir ainda mais os custos dos empréstimos.
A perspectiva econômica dos EUA é "favorável", com o mercado de trabalho forte e a inflação provavelmente retornando à meta do Fed (2%), disse o chairman do Fed, Jerome Powell, em entrevista à imprensa depois do anúncio da decisão.
Mas os formuladores de política monetária do Fed decidiram cortar as taxas, disse Powell, "para fornecer seguro contra riscos contínuos", incluindo fraco crescimento global e ressurgentes tensões comerciais.