Nova York - Jair Bolsonaro chega à Assembleia Geral da ONU na contramão de alguns dos principais líderes mundiais presentes no encontro.
Num momento marcado pelas cobranças de ações coordenadas contra a mudança climática, o Brasil surge na defensiva e busca amenizar a desconfiança internacional provocada por declarações recentes do presidente.
O discurso de Bolsonaro na manhã desta terça-feira (24) - todos os anos, cabe ao líder brasileiro fazer a abertura dos debates - deve ser marcado por um esforço para rebater críticas em relação à política ambiental do país, sob argumento de proteção da soberania nacional.
COMPROMISSOS
Servirá também para vender a imagem de que o Brasil tem compromissos com ações contra o desmatamento e é favorável ao desenvolvimento sustentável.
Bolsonaro, que desembarcou em Nova York no final da tarde desta segunda (23) e chegou ao hotel sem falar com a imprensa, no entanto, deu sinais de que pretende adotar um tom moderado para evitar confronto com outros líderes.
Ele ficou sob pressão principalmente depois que o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, apontaram publicamente o risco de retrocessos na agenda do Brasil para o meio ambiente.
O tempo protocolar para o discurso de Bolsonaro será de 20 minutos.
A ideia é que o presidente use o máximo do período para tentar defender a tese de que seu governo não conduz uma política ambiental negligente e que a crise da Amazônia tem sido utilizada por outros países como forma de intervir na soberania brasileira.
Segundo diplomatas brasileiros, Bolsonaro dirá que o país não tolera crimes ambientais e que as queimadas e o desmatamento na floresta agora não destoam da média dos últimos 20 anos.