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Posto parado vira 'pesadelo'

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Quem passa, todos os dias, por uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Duque de Caxias, pode não se dar conta do estado em que se encontra um posto de combustíveis inativo, na quadra 18, esquina com a rua Xingu, na Vila Cardia. Porém, quem divide o quarteirão com o imóvel não poupa críticas e denúncias em relação ao local.

O cenário inóspito virou um "pesadelo" aos vizinhos. "Isso é um criadouro de dengue, eu mesmo já tive a doença. Já um funcionário meu foi picado por um escorpião. É inacreditável a quantidade de lixo que tem neste lugar. É um problema sério de saúde pública que se sobrepõe a qualquer outra esfera", afirma, indignado, Nadir Pereira Filho, 64, proprietário de um estabelecimento comercial vizinho ao imóvel.

São papéis espalhados por toda parte, roupas, pedaços de madeira, vidros estilhaçados, plásticos, colchão, sofá e até fezes. Como parte do alambrado está no chão, o local é de fácil acesso. "Nós sabemos que, durante a noite, dependentes químicos se reúnem aqui. Outro dia, viram duas pessoas no telhado de uma loja e, nesta semana, fizeram um buraco no muro que dá acesso à minha loja. Foi o alarme que os assustou e impediu que entrassem", comenta.

TEMOR DE EXPLOSÃO

Não bastasse a sujeira acumulada, o imóvel ainda conta com as estruturas do posto de combustíveis, ainda que esvaziados. Nadir teme que a precariedade do local possa favorecer danos ainda maiores.

"Se alguém rouba as válvulas de ácido inoxidável que dão acesso aos tanques, uma fagulha pode causar uma explosão em todo o quarteirão. Porque ainda tem resquício de gás nessas tubulações", acredita.

'SÓ COM REPELENTE'

Já nos fundos do imóvel, sem nenhuma tampa ou proteção, cisternas aglomeram pernilongos e plantas. "Na parte da tarde, com o calor, fica repleto de mosquitos e pernilongos aqui. Na loja, não podemos ficar sem repelente. É incômodo até para os nossos clientes", reclama.

Segundo Nadir, a situação vem se agravando há 4 anos, desde quando o estabelecimento foi fechado. E, tanto ele quanto os outros comerciantes já entraram em contato com o poder público para solucionar a questão. "Fomos muito bem atendidos por todos os órgãos municipais que entramos em contato, mas sempre com problemas para acionar o proprietário. Isso não resolve o meu problema. Nós precisamos é que limpem isso. Repito: é uma questão de saúde pública", finaliza .

Em nota, a Secretaria de Planejamento (Seplan) informou que encaminhará fiscais até o local para verificar as condições do espaço e autuar o proprietário do posto, que deverá cercar o local e mantê-lo limpo. Ainda no comunicado, a prefeitura informa que a fiscalização de imóveis privados em situação de abandono ou alvos de denúncia de focos de dengue é feita pelas secretarias de Planejamento e de Saúde, respectivamente. "Porém, os fiscais não podem adentrar ao imóvel sem o aval do proprietário caso estejam fechados. No caso do posto em questão, por exemplo, por se tratar de área majoritariamente aberta, a fiscalização pode ser feita sem grandes problemas", complementa.

OUTRO LADO

À reportagem, um porta-voz do posto parado afirmou que, há cerca de um mês, foi iniciado um processo na Cetesb para que realizassem a retirada dos tanques e a entrega do imóvel aos proprietários. O acordo, segundo a empresa, é de que, assim que isso for feito, também haverá a limpeza do local, o que já está previsto em cronograma para no máximo 15 dias após a resposta da agência estadual. Ainda de acordo com o porta-voz, não seria viável realizar a limpeza do local antes da obra para retirada das bombas.

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