Na década de 1960, o menino Attila Sudár iniciava sua história no polo aquático, na Hungria. Em 2019, em Bauru, dezenas de crianças também iniciam sua trajetória nesse esporte, sonhando em, assim como Attila, conquistar muitas medalhas e títulos. Elas treinam na Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA), onde convivem com o campeão olímpico húngaro, hoje técnico do time adulto bauruense, além de colegas que também era da iniciação e hoje defendem a Seleção Brasileira.
Entre os dias 11 e 12 de outubro, essas gerações vão se encontrar na 2ª edição do Festival Attila Sudár de Polo Aquático sub-10. O evento promovido pela ABDA homenageia o campeão olímpico pela seleção da Hungria. O primeiro ano da homenagem, em 2018, pegou o húngaro de surpresa.
"Eu pensava que seria algo pequeno, dois ou três times, poucas horas. Quando cheguei, tinham 120 jogadores. Fiquei muito emocionado e feliz com a organização", relembra Sudár. "Na Hungria, não é hábito fazer homenagens a pessoas vivas, apenas homenagens póstumas. Achei muito melhor assim, pois as crianças têm oportunidade de ver a pessoa ali, real", acrescenta.
INÍCIO
Attila Sudár iniciou no esporte, aos 7 anos de idade, na Hungria fazendo natação e salto com esqui. Nadou até os 14 anos e acabou levando uma suspensão do treinador devido a uma ausência por viagem. Foi a sorte do polo aquático, pois um técnico que estava próximo convidou o garoto para jogar e ele nunca mais abandonou a modalidade. "Eu gostava da natação, mas me apaixonei pelo polo porque era um jogo em equipe. Eu me destacava por nadar bem, não me cansava", relembra.
Entre os títulos conquistados por Sudár, estão 1º lugar nas Olimpíadas de Montreal (1976) e 3º lugar nas Olimpíadas de Moscou (1980). "Na Olimpíada de Los Angeles (1984), a Hungria não participou devido a um boicote (dos países socialistas)", lamenta. No currículo de Attila Sudár, ainda constam dois campeonatos europeus, dois vice-campeonatos mundiais, seis títulos de campeão na Hungria e dois títulos de campeão italiano.
RUMO A BAURU
Attila Sudár jogou até os 44 anos na Hungria. De início, não pensava em ser treinador, pois ele amava estar dentro da piscina. Mas acabou por um período conciliando as vidas de jogador e treinador, atuando na Hungria, Itália e França. Uma cirurgia de hérnia de disco, porém, tirou o jogador da piscina. O convite para atuar como técnico no Brasil, na ABDA, surgiu em 2012, exatamente quando o húngaro estava um pouco chateado por ter perdido uma votação para a vaga de treinador da seleção de seu país.
O campeão olímpico viu surgir ali uma nova oportunidade na carreira e decidiu aceitar. Conhecia o Brasil por causa dos jogos, mas nem sabia onde ficava Bauru. Cheio de coragem e vontade de passar seu conhecimento em polo aquático, Sudár veio para o Brasil. A barreira do idioma foi solucionada com muita dedicação e, hoje, o húngaro guarda o sotaque, mas conversa fluentemente em português.
Attila Sudár passou um tempo sozinho em Bauru, mas logo trouxe a esposa e os dois filhos. "Pensei em ficar dois anos no Brasil e voltar. Mas não consegui voltar. Todo ano, nós visitamos a Hungria para matar a saudade", explica.